Com o encerramento de mais uma edição do horário de verão, muita gente questiona a validade da medida e sua importância para o setor elétrico brasileiro. Incorporado à nossa cultura, o horário de verão vem sendo implantado pelo governo há mais de 20 anos consecutivamente, nas regiões Sul, Sudeste, Centro-Oeste e alguns estados do Nordeste. No Brasil, o horário de verão foi instituído pela primeira vez em 1931. A medida foi reeditada por mais dois anos, ficando sem utilização até o ano de 1949. A partir daí, mais quatro edições foram lançadas. Na década de 60, a medida vigorou por cinco anos subseqüentes - de 1963 a 1968. A sociedade brasileira passou a conviver rotineiramente com o horário de verão a partir de 1985. Com a 34a edição deste ano, o Brasil registra a 23a aplicação consecutiva da medida que termina dia 16 de fevereiro de 2008.
A aplicação do horário de verão contribui para diminuir os riscos de uma sobrecarga de consumo em horários de intensa utilização de eletricidade no país. Esse horário, chamado de pico de consumo, estende-se normalmente das 18 às 21 horas. Nesse período, são acionadas as lâmpadas da Iluminação Pública de milhares de municípios e coincide também com o período de maior uso do chuveiro elétrico nas residências, pois é quando os trabalhadores chegam em casa após o horário comercial. Se visuali-zássemos, como num eletrocardiograma, o desempenho de consumo de eletricidade nessas regiões não apresentaria muitas variações entre 8h e 17h. Em seguida, visua-lizaríamos uma subida abrupta formando uma curva em parábola, com duração aproximada de três horas, para só depois voltarmos à curva típica de consumo. Essa curva, que representa o horário de pico, coloca o setor elétrico em alerta, porque a demanda chega muito próxima à oferta de energia. Reduzir essa curva é uma das alternativas mais bem-sucedidas para evitar esse risco. Com o horário de verão, há um deslocamento nos horários de consumo, pela mudança de hábitos na população e pela entrada tardia da Iluminação Pública no sistema. Em vez de acionar os eletrodomésticos em casa, uma parcela substancial da população opta pelo lazer ao ar livre, porque a iluminação natural perdura por mais uma hora. Essas ocorrências juntas, por si só, diluem a curva do período de maior consumo, observando uma redução média de 4% a 5%, diminuindo os riscos de uma sobrecarga no sistema elétrico. Os resultados do horário de verão devem ser mensurados a partir dessa ótica e sua aplicação tem sido uma medida de acerto no Brasil, porque também provoca economia no consumo de energia, principalmente pela maior luminosidade natural nessa época do ano.
O autor, César Bento Machado, é gerente da Regional Bauru da CPFL Paulista