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Definição sobre carne fica para março

Por Ana Paula Ribeiro | Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Brasília - A reunião entre representantes do Ministério da Agricultura e da União Européia não resultou em uma solução quanto ao embargo do bloco à carne bovina brasileira e as exportações do produto para a Europa continuam suspensas. Essa situação deve prevalecer pelo menos até março, quando uma missão européia já terá vistoriado as fazendas brasileiras.

A reunião, em Bruxelas, durou dois dias e terminou ontem. Não houve acordo sobre as propriedades habilitadas a exportar para a Europa. A decisão deverá ocorrer apenas após o fim da vistoria da missão européia, que chega ao Brasil no dia 25 de fevereiro para avaliar o sistema de rastreabilidade. A vistoria vai ocorrer entre os dias 27 de fevereiro e 11 de março.

As exportações de carne bovina “in natura” para a Europa estão suspensas desde o dia 1 de fevereiro. A UE determinou o embargo devido à falta de acordo sobre o número de propriedades que podem receber certificação para vender o produto e questionou ainda o sistema de rastreabilidade adotado no Brasil. Os europeus chegaram a informar que iriam permitir apenas 300 fazendas.

Anteotem, em Bruxelas, o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Afonso Kroetz, apresentou uma lista com cerca de 600 propriedades à UE. A assessoria de imprensa do Ministério da Agricultura não confirmou, no entanto, o número fechado que foi apresentado.

Em nota divulgada ontem, o Ministério da Agricultura não fez referências à lista de fazendas. Afirmou apenas que a reunião com autoridades da Diretoria Geral de Saúde Animal da União Européia foi para tratar da missão que chegará ao Brasil ainda neste mês e que tem como objetivo “avaliar os controles para certificação de carne bovina brasileira para aquele mercado”.

No entanto, desde a semana passada, a pasta informava que a lista seria apresentada nessa reunião em Bruxelas. A nota informou ainda que essa vistoria servirá de base para se chegar a uma decisão e também irá definir os critérios para futuras avaliações. No ano passado, foram exportadas para a União Européia 194 mil toneladas de carne bovina “in natura”. A carne bovina industrializada não está sob embargo - foram vendidas 100 mil toneladas dessa mercadoria para a Europa em 2007.

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Pecuaristas pedem fim de negociação

Londrina - Em manifesto enviado ontem ao ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, representantes de entidades ligadas à pecuária de corte pediram o fim das negociações com a União Européia. Os pecuaristas alegam questão de soberania para não aceitar as imposições dos europeus, que exigem do Brasil a apresentação de uma lista com apenas 300 propriedades aptas a exportar.

O texto da Associação Nacional dos Produtores de Bovinos de Corte (ANPBC), apoiado pela Federação Brasileira das Associações de Criadores de Animais de Raça, pela Associação Nacional de Criadores e pela Sociedade Rural do Paraná, pede a paralisação das negociações com a UE.

Segundo André Muller Carioba Arndt, presidente da ANPBC, é uma questão de soberania nacional “não aceitar a imposição de um número de exportadores”. Os produtores lembram que a União Européia compra pouco de carne bovina “in natura” brasileira, quando se compara com toda a produção nacional. Segundo Arndt, o momento é favorável ao fim das negociações, pois a demanda no mundo é maior que a oferta e logo os próprios consumidores europeus irão se voltar contra as medidas protecionistas da UE.

Também em nota oficial, a Associação Brasileira dos Frigoríficos (Abrafrigo) cobrou investigação e punição rigorosa, pelo Ministério da Agricultura, das empresas que exportaram carne bovina “in natura” sem obedecer aos critérios de rastreabilidade. A exportação irregular foi admitida pelo próprio ministro do Ministério da Agricultura, Reinhold Stephanes. Ele afirmou ontem que a UE sabia que importava carne bovina brasileira de rebanhos não rastreados, explicando que essa situação foi mencionada em relatório da UE enviado à Organização Mundial do Comércio (OMC).

A Abrafrigo se posicionou contra a apresentação de nova lista de exportadores para a UE. “A questão é puramente comercial’’, disse Péricles Salazar, presidente da associação.

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