Economia & Negócios

Preço da carne cai pouco após embargo

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 2 min

Consumidores ficaram esperançosos, donos de açougues e supermercados também. Mas o embargo europeu à carne bovina brasileira, em vigor desde o início deste mês, não refletiu em queda significativa no preço cobrado pelo quilo do produto ao cliente. Somente nas peças voltadas à exportação houve registro de queda de preço. Contra-filé, noix e filé mignon, por exemplo, tiveram uma redução de 5% a 10%.

Nos anúncios publicitários de ofertas de supermercados publicados no Jornal da Cidade pode-se comprovar a diferença. Dias antes do embargo, essas carnes eram comercializadas a valores superiores ao dos anúncios recentes. Na ponta do lápis, a diferença varia de centavos até R$ 2,00 o quilo, dependendo do corte.

O noix, por exemplo, era oferecido a R$ 9,78 o quilo em um supermercado no dia 31 de janeiro. No mesmo estabelecimento, nesta semana, o quilo da carne era vendido a R$ 8,59. O filé mignon em uma loja anunciante era comercializado a 17,95 o quilo na ocasião do embargo. Ontem, podia ser comprado por R$ 15,85.

“O que acontece é que alguns cortes estão mais em conta, principalmente os que iriam para o exterior. Mas, no geral, o preço da carne se manteve e acho difícil ter uma redução”, avalia Renato Lourenção, gerente de uma rede de supermercado de Bauru. De acordo com o ele, como o produto é comprado diariamente, a redução do preço é repassada imediatamente ao consumidor.

Porém, ele avalia que o embargo não causará grandes danos econômicos. Lourenção pondera que, por ser o maior exportador de carne do mundo, o Brasil seria mais afetado se o embargo fosse mais extenso. “A Europa corresponde a 10% das exportações brasileiras. O País continua vendendo normalmente para o restante do mundo”, observa.

Edson Antônio da Silva, proprietário de um açougue do Jardim Brasil, ressalta que o mercado não correspondeu às expectativas iniciais. “Chegou a dar uma baixada, mas os preços voltaram a se recuperar”, diz. Para ele, a redução do preço de alguns cortes não fará tanta diferença para o consumidor, como faz para o produtor. “Algumas peças baixaram coisa de 30 centavos o quilo. Isso, para quem compra meio quilo na semana, não é sentido. Mas quem vende uma boiada, sente”, pondera.

Já para o proprietário de um açougue no Jardim Marambá, o mercado não vai baixar o preço do quilo da carne. “Para mim, não baixou nada. Alguns cortes até aumentaram e ainda não sabemos o motivo. Ou é falta no mercado ou o produtor segurou o boi no pasto para ganhar peso. Acho que a definição ainda leva de duas semanas para mais”, pondera.

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