Havana - O novo presidente de Cuba, Raúl Castro, sofreu ontem pressão internacional para libertar presos políticos e permitir a dissidência na ilha.
O general, de 76 anos, deve fazer algumas aberturas na política econômica, mas já anunciou que não vai abandonar o socialismo e continuará consultando seu irmão Fidel, que renunciou à presidência na semana passada, após mais de 49 anos no poder.
Os Estados Unidos e o Vaticano começaram a pressionar o novo dirigente, começando pela questão dos presos políticos.
A Igreja Católica cubana afirmou esperar que o novo Conselho de Estado (Executivo) cubano e seu presidente, Raúl Castro, adotem “medidas transcendentais” para satisfazer as inquietações do povo cubano.
“Não pedimos exatamente uma anistia”, disse o secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, que faz visita a Cuba. “Libertar prisioneiros é um gesto positivo que ajuda na reconciliação e dá sinais de esperança”, afirmou ele a jornalistas, elogiando a libertação de quatro presos políticos neste mês.
O governo dos EUA, por sua vez, voltou a criticar a transferência de poder entre os irmãos Castro e a cobrar mudanças.
“Ainda temos um governo (em Cuba) que acredita que é adequado manter as pessoas como presas políticas, negar à população seus direitos políticos e humanos básicos, e continuar com um sistema de governo que é fundamentalmente uma ditadura”, disse Tom Casey, porta-voz do Departamento de Estado.
No domingo, ao ser efetivado, Raúl criticou a superpotência vizinha por travar uma “verdadeira guerra” contra Cuba e sua economia.