Política

Racha e destituição vão à pauta do PV

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 3 min

Disputa interna e divergências em Bauru são ingredientes esperados para a reunião do Conselho Regional do Partido Verde em Nova Europa (SP), neste sábado, dia 8. Um dos principais itens da pauta é a participação da legenda nas eleições, mas as diferenças entre filiados incluem discussão até de eventual destituição da Comissão Provisória em Bauru, cujo comando é de Cláudio Turtelli.

Ninguém esconde no grupo local que Turtelli tem problemas de convivência e de posicionamento político com outros colegas, que entre os desafetos está o grupo do deputado federal José Paulo Tóffano e que Clodoaldo Gazzetta não goza de simpatia junto a uma parte dos verdes locais, assim por diante. No meio do fogo cruzado, descontentes pelo papel desempenhado na cidade por Cláudio Turtelli querem discutir a troca no comando na reunião de sábado.

No meio do bolo da discórdia, militantes verdes indicam que não digeriram declaração de Turtelli concedida ao JC, recentemente, em que este avaliou que o PV em Bauru vai cumprir papel apenas institucional nas eleições deste ano, sem chances reais de disputar o poder.

O presidente do Conselho Regional do partido, que inclui entre as 36 cidades da bacia a cidade de Bauru, João Francisco Bertoncello Danieletto, prefeito de Bocaina, reconhece os problemas internos por aqui. “A discussão sobre eventual destituição de comando provisório pode ser feita por qualquer filiado e o conselho discute e toma posição, dando o amplo direito de defesa a quem for acusado. O Turtelli é um grande companheiro, ativo no partido, mas acho que se há problema é preciso discutir o que é melhor para o PV na cidade. Se há problemas, vamos discuti-los e resolver”, conta.

João Francisco confirmou que a declaração de Turtelli sobre as chances remotas do partido na eleição bauruense deste ano desagradou a muitos. “Avaliar em público que o papel do PV será apenas institucional na eleição causou reações e se isso for levantado será discutido, com direito de ampla defesa ao Turtelli”, acrescenta.

Sem competência

Cláudio Turtelli não gostou da discussão ontem, reagiu em tom provocador e, ao invés de abordar o foco da reclamação contra ele, disse que o Conselho Regional não tem competência para julgar o assunto na reunião.

“O conselho é consultivo, não deliberativo. Agora, as pessoas fazem o que querem. Eu posso pedir a expulsão do Tóffano por nepotismo, mas não é esse o caminho. O conselho pode tirar posição, mas isso vai acabar indo na minha mão, porque sou o secretário estadual de inteligência e informação do PV”, respondeu com ironia.

Depois, Turtelli comentou que há uma estrutura jurídica a ser seguida no PV, delimitada no estatuto. “É uma questão de posicionamento. Não vejo isso como produtivo para o partido, mas é democrático alguém reclamar, tem de ouvir a base. Não vou fazer guerra interna. Mas eu dirijo o PV em Bauru e não sou obrigado a ser amigo de ninguém por isso”, acrescentou.

O secretário de organização estadual do PV, Maurício Brusadin, informou que pedidos do gênero e problemas internos são discutidos nas bacias, a instância regional. “Tema como a destituição ou não do comando em uma cidade é competência de discussão do conselho regional. O que eles decidirem é levado ao diretório estadual que pode referendar ou não. Até agora não houve nenhuma discussão de conselho que não tenha sido confirmada. O diretório estadual se reúne e discute o que vier a ele toda segunda-feira”, contou.

O JC não localizou ontem o coordenador regional por Bauru, o ex-prefeito Tidei de Lima. O vereador da bancada local, Primo Mangialardo, lamenta as rusgas internas, mas opina que “o que for decidido dentro da lei eu acato. O Clodoaldo Gazzetta fica três anos e meio fora e vem para ser candidato em Bauru só na eleição, mas eu acato se ele for escolhido e vou pedir voto para ele. Gostaria que sentassem à mesa e resolvessem isso”, completou.

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