Jaú - A grande quantidade de máquinas caça-níqueis apreendidas apenas em ações da Polícia Civil estão entulhando os distritos policiais (DPs) dos dez municípios abrangidos pela Delegacia Seccional de Polícia de Jaú (47 quilômetros de Bauru). A situação é tão preocupante, que até o estacionamento da polícia e o prédio desativado da Cadeia Pública de Igaraçu do Tietê, que servem de depósitos, estão cheios de máquinas.
Para se ter uma idéia, no período entre 2006 e início deste ano, a Polícia Civil dos distritos policiais dos dez municípios abrangidos pela Seccional de Jaú apreenderam 1.078 máquinas. Aproximadamente, a metade deste total, 530 unidades, foi apreendida somente pelos cinco DPs de Jaú. Os outros nove municípios da Seccional, juntos, apreenderam 548 máquinas no período.
O problema é que, com as apreensões, as máquinas acabam “entupindo” corredores e salas dos DPs enquanto a Justiça decide o que fazer com elas. No 1.º DP de Jaú, por exemplo, as 183 máquinas ilegais apreendidas entre 2006 e 2008 ocupam espaço físico que, tempos atrás, era utilizado pelo Serviço de Investigações Gerais (SIG). “Nós tivemos que deixar as salas para colocar as máquinas”, diz um dos investigadores.
Além da varanda e da sala de entrada, outros três cômodos do prédio do 1.º DP estão ocupados pelas máquinas de jogos de azar. A mesma situação ocorre nos demais DPs de Jaú e de cidades da microrregião, como Barra Bonita, Igaraçu do Tietê, Mineiros do Tietê, Bariri, Dois Córregos, Bocaina e Boracéia.
“Essas máquinas vêm acarretando problemas para nós. Elas estão entupindo as unidades policiais, ocupando um espaço físico que nós não dispomos para este tipo de armazenamento”, comenta Edmundo Ciro Vidal, delegado titular do 1.º DP de Jaú. “Nós tivemos que desalojar os investigadores da sala deles e transformar a área em um depósito provisório até que se dê o destino final destas máquinas. Aqui não cabe mais nada. Nós estamos colocando inclusive fora da unidade em uma garagem aberta”, completa.
Com a apreensão cada vez maior de máquinas caça-níqueis, a situação se agrava. Tanto que a Delegacia Seccional, através do delegado seccional Antônio Carlos Piccino Fillho, enviou requerimentos, no ano passado, pedindo “socorro” aos Ministérios Público Estadual e Federal, além da Polícia Federal e Receita Federal, no sentido de conseguir um local adequado para o armazenamento das máquinas apreendidas.
“Estas máquinas que nós apreendemos nós não estamos conseguindo despachá-las. O Fórum recebe o inquérito policial, instaura o processo, mas alega não ter lugar para guardar as máquinas e não as recebe. A Receita Federal diz que o seu depósito está lotado e não tem onde guardá-las”, comenta Piccino Filho.
Uma das propostas da Seccional de Jaú é conseguir autorização para destinar as peças de informática, encontradas nestas máquinas, para entidades assistenciais nos municípios em que foram apreendidas ou então permissão para destruí-las após a realização de exames periciais.
“Diante disso, eu baixei uma circular, pedindo para todos os delegados que eles fizessem um levantamento detalhado de todas as máquinas apreendidas e, caso a caso, fizesse pedidos ao juiz para poder destruí-las ou destinar a uma instituição de caridade”, explica o seccional.
Por enquanto, apenas o delegado titular de Boracéia, Marcílio César de Mello, conseguiu autorização judicial para o uso dos componentes de informática, de seis caça-níqueis apreendidos no município, para projeto de inclusão digital.
Piccino Filho comemora o resultado, mas lembra que mais de mil máquinas ainda estão paradas e ocupando espaço nas delegacias. “A Câmara de Jaú fez uma solicitação formal para nós neste sentido. Uma proposta de encaminhar estas máquinas para instituições de caridade, para programas de inclusão digital”, comenta Piccino Filho, lembrando que a autorização para se doar as máquinas depende da Justiça.