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Tarso nega atrito com Espanha e defende uma maior fiscalização

Folhapress
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Brasília - O ministro da Justiça, Tarso Genro, negou ontem a existência de uma crise no relacionamento entre Brasil e Espanha. No entanto, ele defendeu que os brasileiros tenham o mesmo tratamento “digno” que os espanhóis recebem quando chegam ao Brasil. “Temos queixas duras dos brasileiros do tratamento que (eles) recebem da polícia (espanhola)”, disse Tarso ontem.

Tarso negou que o Brasil tenha a intenção de retaliar a Espanha impedindo a entrada de espanhóis no País. O ministro, entretanto, defendeu que a Polícia Federal amplie a fiscalização de estrangeiros que chegam ao País. “Não haverá da Polícia Federal e do Ministério da Justiça nenhum abuso. Esse trabalho é sempre feito por amostragem. E você pode aumentar essa amostragem para que as negociações ocorram de maneira tranqüila. Não se trata de ter nenhum tratamento em relação aos espanhóis, mas que a fiscalização seja mais rigorosa em relação a todos os países”, afirmou Tarso.

Segundo ele, as relações entre os dois países “tendem a se adaptar” uma vez que cada país tem autonomia para aplicar de maneira soberana a sua legislação.

Rusgas

Brasil e Espanha vivem um mal-estar causado, originalmente, pela política de imigração espanhola. Todos os dias, mais de dez brasileiros são impedidos de entrar no País e são mantidos nos aeroportos, à espera da repatriação. Na última quarta-feira, dois jovens mestrandos brasileiros que participariam de um congresso de ciências sociais em Lisboa (Portugal) ficaram retidos no aeroporto de Madri (Espanha), onde o vôo - da Iberia - fazia uma escala.

O caso teve repercussão devido ao tratamento que eles dizem ter recebido no aeroporto - teriam ficado horas impedidos de se alimentar ou telefonar. Um dia depois, na noite de quinta, a PF do aeroporto de Salvador repatriou um grupo de espanhóis, em um ato interpretado como uma retaliação.

O setor de imigração da PF no aeroporto internacional de Salvador, na Bahia, deportou mais seis estrangeiros - cinco espanhóis e um italiano - na noite de sábado. Os passageiros haviam desembarcado por volta das 21h30 em um vôo da Air Europa saído de Madri (Espanha). Sem demonstrar a passagem de volta, eles tiveram de voltar para Madri na mesma aeronave da companhia, por volta das 23h30.

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