Este título foi emprestado de E. Hemingway (1899-1961), famoso autor que proporcionou levar às telas do cinema com Ingrid Bergman e Gary Cooper, um dos seus mais belos romances com esse título, seu mais longo e ambicioso trabalho.
Segundo o Aurélio, necrológio é elogio escrito ou falado de pessoas falecidas. Pois é! As pessoas, quando vivas, normalmente são avessas aos elogios, inicialmente pela modéstia e, posteriormente, pela sua própria personalidade. Assim era o meu cunhado Djalma Marinho Cunha.
Antigo funcionário da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, extinta antes dele, guardou, seguramente, suas principais diretrizes, ou seja, andar na linha. Sobre as paralelas de aço que nortearam sua vida, as mesmas paralelas de aço formaram sua família que, ao final, é a nossa própria família, indestrutível por sua natureza, herdeiros que somos dos Rebouças, dos Novaes, dos Pires, dos Carvalho, dos Omias, dos Prazeres, dos Marins, dos Figueiredo e dos Marinho Cunha, formando o que chamamos de grande família ou família numerosa.
Em 7 de março de 2008 acompanhamos, com a tristeza própria dos órfãos, a despedida deste ente muito querido. O beijo dado pela Belita momentos antes de ser fechado o caixão, para os que presenciaram, foi de emoção incontida, lágrimas chegaram rapidamente aos meus olhos, olhos que já viram muitas coisas alegres e tristes mas que, se emocionam, quando outros olhos também choram!
Na verdade, esse beijo representou a despedida de um casal que, por mais de 40 anos, semeou a vida... semente boa... frutos sadios e saudáveis! A árvore plantada pelos nossos pais e pelos pais do Djalma estão presentes e com raízes fortes - são os filhos, netos, netas, bisnetos e bisnetas que num futuro próximo, ou muito próximo, terão os ramos acrescidos de outros ramos e assim será a vida de todos nós.
Fomos criados na fé cristã e acreditamos ainda que o casamento celebrado no altar, perante Deus e com o testemunho de parentes e amigos, o juramento feito espontaneamente e por amor precisa e deve ser cumprido, na alegria e na tristeza, na saúde e na doença. Este juramento, em nossa família tem sido cumprido pois, independentemente dos problemas inerentes a própria vida, são solucionados pelo apoio, pela compreensão em busca da necessária harmonia regente dos laços indissolúveis que nos unem.
Querida irmã Maria Izabel - 8 de março é o Dia Internacional da Mulher e nele você recebeu, de Deus, a incumbência de continuar administrando a sua família, sem o apoio físico do Djalma que foi o seu grande e eterno amor, mas com a coragem própria das pessoas fortes.
Veja ao seu redor... Djalma Filho, Frederico, Paulo Henrique, suas noras, seus netos, Noquinha, Maria Antonia, eu, Marylene, Isidoro, Edith, Maria, sobrinhos e sobrinhas, primos e primas, o mundo não acabou... a árvore que tem suas raízes profundas suporta tempestades, vendaval e suas folhas, antes do tronco vão caindo, como assim, todos nós, ao longo da vida também vamos murchando e caindo...
Assim é a vida e a nossa vida pertence a Deus! Em nossas orações, os nomes queridos e agora o nome do Djalma serão lembrados, pedindo sempre a paz para suas almas. Os sinos dobram por você, inesquecível amigo e cunhado.
Roque Roberto Pires de Carvalho - professor universitário - RG 12.327.096