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Eliot Spitzer contrata advogados famosos

Folhapress
| Tempo de leitura: 3 min

Nova York - Após anos vendendo a imagem de irrepreensível defensor da lei, o governador de Nova York, Eliot Spitzer, foi obrigado na última semana a recorrer a alguns dos melhores advogados dos EUA para se defender em um dos maiores escândalos políticos e sexuais a atingir o Estado em anos recentes.

Spitzer anunciou a renúncia após ser divulgado seu envolvimento com a rede de prostituição de luxo Emperors Club VIP, com a qual teria gasto até US$ 80 mil. Agora, o ex-procurador-geral e ex-estrela em ascensão do Partido Democrata listou três membros da prestigiada firma Paul, Weiss, Rifkind, Wharton & Garrison como defensores caso sofra um processo federal.

A líder da equipe é Michele Hirshman, 49 anos, que foi a principal assistente do governador quando ele era procurador-geral de Nova York. Ela será assessorada por Theodore V. Wells Jr., 57 anos, co-diretor do departamento de litígios da firma, e Mark F. Pomerantz, 56 anos, ex-chefe da divisão criminal do escritório do procurador-geral dos EUA no distrito sudeste de Nova York - o mesmo que tem nas mãos o caso de Spitzer, diz o “New York Times”.

A Paul, Weiss, Rifkind, Wharton & Garrison é a 13ª no ranking das 100 mais prestigiosas firmas de advocacia do país, segundo a empresa de recrutamento e informações legais Vault. O salário inicial de um advogado associado é estimado em US$ 145 mil por ano.

Teoricamente, Spitzer poderá ser denunciado por vários crimes. Ele violou uma lei ao transportar uma prostituta de Nova York para Washington para um encontro; teria dividido pagamentos que excediam US$ 10 mil em partes menores para evitar declarações à Receita; e pode ter usado fundos de campanha para pagar a rede.

Mas o fato de o político, casado e com três filhas, ter se encontrado com garotas de programa não é a única causa da comoção que tomou Nova York e deixou mais de 70% de seus moradores, segundo pesquisas, a favor da renúncia.

O problema maior, para o pesquisador e analista político John Zogby, foi a hipocrisia. “Eleitores simplesmente não gostam de pessoas que dizem uma coisa e fazem o oposto”, escreveu ele em artigo recente para o site “Huffington Post”.

Spitzer era visto como um incansável defensor da “moral e da ética, que segundo descrições se recusava até a rir de piadas sujas”, diz. “Ele não poderia pedir perdão porque nunca, nunca perdoava.”

Apelidado de xerife de Wall Street por sua luta contra a corrupção e crimes financeiros, Spitzer também perseguiu duramente redes de prostituição no passado. Em 2004, por exemplo, o então procurador-geral de Nova York ajudou a pressionar por uma lei que elevasse a pena para homens que pagam por sexo. Em 2007, já governador, ele assinou a lei.

Também em 2004, ao prender 16 membros de uma rede de prostituição em Staten Island, Spitzer deu declarações aparentando raiva e repulsa. “Essa era uma operação sofisticada e lucrativa, mas não passava de uma rede de prostitutas”, disse, citado pelo “New York Times”. A equipe de estrelas da advocacia pode até livrá-lo da prisão, mas limpar sua imagem será mais difícil.

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