Turismo

Ipioca é ali

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 6 min

Ponta Verde, Pajuçara, Sete Coqueiros e Jatiúca são as praias mais conhecidas de Maceió e lugares onde você deve procurar se hospedar. A cidade tem uma rede hoteleira fabulosa, que inclui clássicos como o Jatiúca Resort e modernos empreendimentos, como o Ritz Lagoa da Anta e o Brisa Tower, recém-inaugurado.

Da avenida Beira-Mar é fácil chegar aos arredores, incluindo uma breve passagem por Cruz das Almas, onde fica o Hotel Matsubara (uma dica para quem quer sossego).

A praia ganhou esse nome por ter sido palco de uma triste história de amor. A região onde está Maceió era ocupada por duas tribos rivais: os caetés e os tabajaras. Segundo a lenda, uma índia da segunda tribo e um guerreiro caeté se apaixonaram e mantinham encontros secretos nessa praia até que serem surpreendidos pelo pai do rapaz, que castigou o casal com a morte. Dizem que nas noites de lua cheia – uuuuuu!!!! – as almas dos amantes voltam a se encontrar nessa praia, com juras eternas.

Dali, de carro, vão se sucedendo uma infinidade de praias paradisíacas, pequenas, com piscinas naturais, rústicas, sossegadas e por isso mesmo encantadoras, recebendo gente que quer fugir do burburinho e literalmente descansar com o céu como testemunho.

Bem pertinho fica Ipioca, considerada pela revista “Viagem & Turismo”, da Editora Abril, em sua edição deste mês, “ a praia nota 1000 da região”.

Ipioca é uma das praias prediletas do jornalista Ricardo Freire, autor da matéria, e minha também. Fica a apenas 22 km ao norte dos hotéis de Jatiúca e continua um éden intocado, um lugar que, apesar dos empreendimentos imobiliários – resorts de luxo –, continua sendo um vilarejo de pescadores: bucólico, com coqueirais que servem de telhado natural para se abrigar do sol, águas verdes cristalinas e praias de areia branca, fina como talco.

Caminhando pela praia, o visitante vai sentir uma paz infinita. Como se o tempo tivesse parado, mas sem que isso detivesse melhoramentos. Quem procura Ipioca hoje nada tem a ver com os bichos grilo do passado.

O lugar é rústico, simples e chique ao mesmo tempo. Oferece mordomia total, incluindo resort e restaurantes especializados em frutos do mar, que oferecem aos visitantes colchões infláveis para se curtir o mar (sabe aquela de bife à milanesa? Esqueça!).

Foi nessa vila gostosa, aconchegante, que nasceu um dos marechais brasileiros, Floriano Peixoto, militar e político brasileiro que foi o primeiro vice-presidente e o segundo presidente do Brasil no período da República Velha.

Quem pretende se hospedar dentro da vila, hoje só tem como opção torcer para encontrar uma vaga no pequenino resort d’Anatureza. Mas para o segundo semestre, surpresa! Ipioca ganhará o primeiro hotel quatro estrelas do grupo Salinas de Maragogi: o Sol Salinas. Que vai funcionar nos mesmos moldes do pioneiro, em Salinas, cidade igualmente graciosa entre Maceió e Recife.

Além de curtir o resort, as praias e o luxuoso bar Hibiscus (peça uma caipirosca), Ipioca oferece contato com a história e a cultura do Estado. A Igreja Nossa Senhora do Ó é um belo exemplar da arquitetura representativa do Século 18 e está localizada no Alto de Ipioca, uma vila de pescadores que oferece a melhor visão do litoral norte de Maceió.

Lá em cima funciona o restaurante Oca, que é como Ipioca, rústico e chique e que apresenta receitas criativas com frutos do mar a ponto de ganhar premiação no “Guia Brasil 2008”.

“A terra de Floriano Peixoto também serve de inspiração para artistas plásticos, como o alagoano Petrúcio Vieira e Delson Uchoa, que escolheram o paraíso de Ipioca para morar e montar seu atelier”, narra o jornalista Antonio Noya, responsável pela organização do Troféu Lagoa Mar, que este ano chegou à sua 16ª edição.

Para chegar a Ipioca fique de olho na estrada, sem deixar a orla. Assim que aparecer a guarita do condomínio Angra de Ipioca, entre. Procure não chegar muito tarde para garantir espaço numa das tendas armadas e o colchão inflável para deitar na areia ou boiar no mar.

Na ida ou na volta não deixe de dar uma paradinha para comprar doces na beira da estrada. Eles são feitos e comercializados por mulheres especialistas na adição de açúcar à macaxeira e ao caju. Com ou sem coco.

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Milagre em São Miguel

Outro trecho que está longe da massificação é o de São Miguel dos Milagres, também no litoral norte, a 98 km de Maceió (entre a Barra de Santo Antônio e Maragogi). Por conta da distância, da estrada difícil (há necessidade de se tomar uma balsa), a recomendação é dormir por lá. Dizem os nativos que o sossego permanece por conta de um providencial desvio que se dá na estrada, logo depois da Barra de Santo Antônio.

A orla é dominada por coqueirais e detém pousadas charmosíssimas, como a internacional do Toque, com suites privativas com piscina individual e decoração requintada e que faz parte do seleto grupo dos integrantes da Roteiros do Charme.

Construída na praticamente deserta Praia do Toque, a pousada é cercada pelo mar, que oscila entre o verde e o azul e por manguezais intocados. De propriedade de Nilo Burgarelli, um chef de cozinha para guia Quatro Rodas, Brasil ou Michelan algum botar defeito, a pousada também é famosa pela gastronomia. Os pratos à base de peixes são especiais e valem o quanto custam. Peça o peixe grelhado com bananas e macaxeira para jamais sair da memória.

São pouco mais de 12 chalés, mas todos equipados com aparelho de DVD, CD, frigobar, ar-condicionado e energia solar. Personalizados e tão agradáveis que o difícil é decidir entre um mergulho no mar ou nas piscinas privativas.

São Miguel dos Milagres destaca-se pelas belíssimas piscinas naturais, geradas pela barreira de corais, estando a apenas 1 km da costa.

No caminho a São Miguel dos Milagres, vale a pena conhecer a Barra de Santo Antônio (Ilha da Crôa e carro Quebrado), a 41 km de Maceió. Os banhos de rio ou de mar são os grandes atrativos da ilha, que ainda oferece bares rústicos e tem acesso através de carro ou de barco.

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Sonho em Paripueira

Outro paraíso bem escondido, mas perto da capital: Paripueira, a 28 km de Maceió. Essa antiga vila de pescadores conta atualmente com cerca de 8 mil habitantes. É gostoso percorrer suas ruas de casas simples, com cadeiras na calçada, lembrando que são um lar. E depois, chegar à praia repleta de atrativos, como os coqueiros típicos de Alagoas e as famosas piscinas naturais localizadas, também, bem perto da orla, a apenas 1,5 quilômetro do litoral, nas praias de Costa Brava e Sonho Verde.

O passeio é sempre interessante por conta da cor das águas do mar, da temperatura média de 29,5 ºC e da excelente visibilidade das águas, o que permite que peixes coloridos se aproximem para comer na mão dos visitantes.

O percurso de 15 minutos até as piscinas é feito em catamarãs e os visitantes são recepcionados por biólogos que passam orientações para que nenhuma espécie seja ameaçada. Máscaras oferecidas nas embarcações possibilitam a observação de crustáceos e moluscos.

Os recifes de coral estão entre os mais impressionantes atrativos da Costa dos Corais. Por sua importância para o equilíbrio ecológico, foi criada uma APA federal, Área de Proteção Ambiental Marinha Costa dos Corais, com 410 mil hectares, para proteger esses ambientes marinhos.

Conheça também: Japaratinga (120 km de Maceió, com falésias de até 50 metros de altura e com areias de cores distintas); Porto de Pedras (105 km de Maceió, com águas tranqüilas, de pequena profundidade e com a Croa do Tubarão, rochedos que transformam o mar em praia natural) e Passo de Camaragibe (64 km de Maceió, povoado de casinhas de taipa e sapé, lagoas e praias quase selvagens).

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