Sem as doações mensais de colaboradores anônimos e das empresas instaladas na cidade, a maior parte das entidades de assistência social em Bauru fecharia as portas. As doações feitas pelos governos federal, estadual e municipal, na maioria das vezes, garante apenas a folha de pagamento da entidade. De acordo com as instituições visitadas, esses repasses correspondem a, no máximo, 50% dos gastos mensais das entidades.
Paulo Canalli, presidente da Associação das Entidades Assistenciais e de Promoção Social (Aeaps) de Bauru, a cidade, em geral, é bastante caridosa e milhares de pessoas contribuem com o que podem para manter creches, associações e entidades de assistência social em pleno funcionamento. “Sempre que chamadas a colaborar, as pessoas prontamente atendem a solicitação, seja para participar de um evento ou contribuir com um valor mensal para manter uma entidade”, explica.
Paulo Roberto Carvalho, presidente da Creche e Centro Educativo Unidos para o Bem, conta que para manter o nível de atendimento para as 75 crianças atendidas na entidade são precisos cerca de R$ 25 mil mensais. “A merenda vem por meio do município e a entidade recebe produtos de hortifruti por meio do convênio Mesa Brasil do Serviço Social do Comércio (Sesc)”, explica.
De acordo com Carvalho, a entidade recebe dos governos federal, estadual e municipal R$ 7.650,00 e o restante vem de doações da comunidade e empresas da cidade. Ele acredita que o processo de profissionalização da associação das entidades irá modificar a realidade vivida até o momento. “As entidades de assistência social de Bauru irão ficar mais fortes e ganhar representatividade para buscar investimentos com grandes empresas do município e do pais”, opina.
A situação enfrentada pela Creche e Centro Educativo Unidos para o Bem é semelhante a enfrentada pela Creche Monteiro Lobato. De acordo com a coordenadora Silvia Renata da Silva, a entidade também consegue a maior parte dos R$ 17 mil mensais necessários o atendimento das 140 crianças através de doações. “As verbas repassadas para entidade representam aproximadamente 45% dos gastos, o restante vem de doações e eventos realizados pela creche”, explica.
Na Associação de Apoio à Pessoa Portadora de Aids de Bauru (Sapab), a situação não é diferente. A entidade assiste 130 famílias onde existem dois ou mais portadores do HIV. Aurélio Adami, presidente da entidade, conta ainda que duas casas destinadas a receber portadores do vírus são mantidas pela Sapab.
Para manter o atendimento, a entidade precisa mensalmente de R$ 23 mil, mas recebe menos da metade desse valor em repasses. “Recebemos R$ 10.100,00 e o restante vem da caridade das pessoas”, explica. Para piorar, a entidade não recebe há dois meses da Secretaria Estadual de Saúde as 100 cestas básicas destinadas às famílias atendidas pela Sapab.
“Não dá para interromper a atendimento, por isso, batemos de porta em porta para conseguir manter nosso trabalho”, conta. Adami afirma estar confiante nas mudanças que estão acontecendo dentro da associação e espera que as entidades possam colher frutos positivos em breve. “Boa vontade existe por parte das 56 entidades que formam a associação”, encerra.