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Julgamento na OAB decide que Tiradentes foi herói nacional

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

A acusação se empenhou, mas a defesa teve melhores argumentos. Sorte de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes, que permaneceu com seu estatus de herói nacional intacto. Na tarde de ontem, alunos da 7.ª série do COC Sistema de Ensino mostraram que aprenderam bem história e realizaram um julgamento para decidir se Tiradentes, o herói da Inconfidência Mineira, é um personagem histórico ou um mito.

O julgamento começou às 14h30, no auditório da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru. “Advogados de defesa” e acusação, com suas equipes de pesquisadores, entraram confiantes para o julgamento. O professor de história Jeferson Alexandre Miranda foi o juiz e o júri foi composto por outros professores e alunos do ensino médio. Márcio Francisco Martins, devidamente caracterizado, representou Tiradentes, cujo aniversário de morte é celebrado na segunda-feira. Cerca de duas horas de muita argumentação depois, a defesa saiu vencedora do julgamento.

Nicholas Paccola Janson, 14 anos, um dos representantes da acusação, revela que tentou evidenciar que Tiradentes apenas defendia interesses próprios. “Tentei argumentar que ele entrou na Inconfidência, que era um movimento para favorecer a elite, para se livrar de dívidas e enriquecer”, diz. Apesar de não ter vencido, ele conta que a experiência foi bastante positiva. “Valeu por mais de um mês de aula”, conta.

Para Beatriz Novaes, 12 anos, também representante da acusação, Tiradentes não foi tão herói assim. “Acho que herói é quem luta pelos interesses do povo e a Inconfidência foi um movimento da elite da época. Ele tinha apenas interesses pessoais”, pondera. Ela também gostou da experiência. “Não conhecia tanto assim o personagem e agora conheço muito mais a história”, diz.

A pesquisadora da defesa Letícia Benites Albano, 13 anos, avalia que o julgamento estimulou o aprendizado de história entre os alunos. Com base em que pesquisou, ela acredita que Tiradentes realmente foi uma pessoa de atos heróicos. “Ele morreu pelos amigos. Não se entregou em momento nenhum e nunca deixou de defender seus ideais.

A sua colega de defesa, Isabelle Bueno Mendonça, 13 anos, também aprovou a iniciativa. “Foi um jeito bem diferente e bem dinâmico de aprender. Pude conhecer quem foi Tiradentes, o que ele defendia e acho que ele realmente foi um herói”, diz. Já Matheus Augusto Cruz Morales, que atuou como testemunha de acusação no caso, espera os próximos “processos”. “A idéia do nosso professor foi muito boa. Poderíamos até julgar outros personagens”, sugere. O advogado Luiz Lúcio Paccola acompanhou o desempenho do neto Nicholas. “O julgamento teve um nível muito alto. Acho que a escola inovou e este é um modelo a ser seguido por outras”, destaca.

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Pedagogia

Para o professor de história Jeferson Miranda, todos os objetivos do julgamento de Tiradentes foram alcançados. “Envolvemos alunos, pais, professores e o assunto foi muito bem explorado, tanto o mito, quanto o personagem”, pontua. Ele avalia que o veredicto foi bastante difícil. “Foram dois trabalhos pedagógicos muito bem feitos. A defesa soube explorar todos os pontos do heroísmo e a parte apaixonante do personagem. A acusação evidenciou aspectos muito importantes. Mas a diferença foi na oratória. É o discurso que transforma o personagem no mito. Não existe uma verdade redentora”, pondera.

Miranda avalia que a experiência foi muito produtiva e já se prepara para a volta aos tribunais. “Como deu muito certo, talvez o projeto possa se desenvolvido também pelos alunos do ensino médio”, adianta.

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