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Revisão de poupança ficará acima do limite

Por Paulo Muzzolon | Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

São Paulo - Os poupadores com direito à revisão do Plano Collor 1 podem ter uma surpresa.

Em pelo menos quatro ocasiões é possível conseguir revisão acima do limite que ficou na poupança após o confisco (NCz$ 50 mil).

A revisão é válida para quem tinha poupança com aniversário entre 1º e 15 de abril de 1990.

Além de fazer o confisco do dinheiro, que foi enviado ao Banco Central, o governo congelou a correção da poupança.

O montante que ficou depositado não foi corrigido, quando deveria ter sido em 44,8%.

O valor máximo do reajuste, portanto, seria de 44,8% sobre os NCz$ 50 mil, que dão, hoje, R$ 4.877,35. Porém, em pelo menos quatro exceções, detalhadas abaixo, o poupador consegue receber mais do que isso.

Em várias ocasiões, os bancos demoraram para enviar o dinheiro confiscado ao BC. “Nesses casos, a Justiça está entendendo que, a partir da data em que o dinheiro deveria ter sido enviado ao BC, a revisão é válida segundo o valor que estava na poupança’’, diz o advogado Alexandre Berthe. Já há decisões assim no Tribunal de Justiça de São Paulo, a segunda instância judicial.

Em outros casos, a revisão é mais fácil. Se a poupança era conjunta, o confisco foi menor.

Como o limite era por poupador, e não por conta, quando um casal dividia a mesma poupança, por exemplo, conseguiu ficar com NCz$ 100 mil.

Ou seja, nesses casos, o valor da revisão pode chegar a R$ 9.754,70. Quem já era aposentado na época do plano não sofreu o confisco.

Por isso, os aposentados que tinham poupança em abril de 1990 poderão ter a revisão sobre todo o valor que estava na conta, mesmo que essa grana seja muito superior ao limite. Para uma poupança de NCz$ 200 mil, a revisão pode chegar a R$ 19.509,40.

Quando o plano Collor 1 foi anunciado, muitos poupadores recorreram à Justiça para não terem a grana bloqueada.

Até mesmo advogados que trabalham com revisões de poupança pedem o cálculo a um especialista.

Nas ações que ainda não foram julgadas, o poupador ainda pode incluir um adendo e pedir a revisão com base em todo o dinheiro, e não apenas em relação ao teto, se for o caso. Para isso, basta que o banco ainda não tenha sido citado. De acordo com ele, não seria um pedido muito fácil de ser concedido.

A Febraban (Federação dos Bancos), no entanto, afirma apenas que os bancos cumpriram o regulamento da época.

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