Uma indústria da multa. Assim os vereadores classificaram a atuação da Empresa Municipal de Desenvolvimento Urbano e Rural de Bauru (Emdurb) no que diz respeito às multas aplicadas aos motoristas nas ruas de Bauru, sobretudo em relação à postura dos agentes de trânsito. O assunto foi um dos mais comentados na sessão da Câmara de ontem.
Na opinião do vereador Marcelo Borges (PSDB), o órgão tem optado pela autuação ao invés de projetos educativos para o trânsito. O tucano referiu-se ao chefe dos agentes de trânsito, Aparecido Bento, para dizer que a empresa contratou uma pessoa “que tem prazer em multar”.
Arildo Lima Júnior (PP) reclamou da inversão de papéis adotada pela Emdurb. De acordo com ele, recentemente o prefeito dirigiu-se ao órgão a fim de que promovesse economia em suas contas com contenção de recursos e não que engrossasse seu caixa com, conforme assinalou, essa “indústria da multa”.
O presidente do Legislativo municipal, Paulo Madureira (PP), defendeu a Emdurb ao afirmar que havia necessidade de uma ação efetiva no trânsito bauruense, no entanto disse não concordar com a aplicação da autuação sem que o motorista fosse comunicado.
Para o vereador Antonio Carlos Garmes (PTB), há casos em que os azuizinhos estão multando o veículo cujo motorista encontra-se no meio do cruzamento quando o sinal passa a amarelo. Segundo ele, tal atitude significa falsidade ideológica. O parlamentar comentou também que chegou ao seu conhecimento que um bauruense foi autuado e, nesse momento, o azulzinho se dirigiu ao motorista com um gravador ligado a fim de registrar o conteúdo da conversa.
Em matéria publicada no dia 9 de abril, o JC citou que dois dias antes o radar estático, popularmente chamado de radar móvel, multou apenas quatro veículos - três motos e um carro, em contrapartida aos oito azuizinhos que no mesmo dia aplicaram 93 multas. Desse montante, a maioria - 56 - foi pela falta do uso do cinto de segurança.
Outro lado
Apesar de dizer que não teve acesso aos discursos proferidos na sessão de Câmara de ontem, o presidente da Emdurb, Carlos Barbieri, disse que os agentes de trânsito estão agindo dentro da legalidade. Ele negou que haja exagero na aplicação das autuações.
Segundo Barbieri, reclamações quanto a multas sempre existiram e continuarão existindo pelo fato de que “mexem no bolso do motorista”.
O presidente da Emdurb justificou que não há necessidade de os azuizinhos pararem a pessoa para aplicar a multa. Sobre possíveis abusos, relatou que é preciso formalizar denúncia para que esta possa ser apurada.
Barbieri disse ainda que o órgão realiza o trabalho de educação, com cursos e palestras semanais dirigidas aos agentes de trânsito para melhorar o serviço.