Se o excesso das chuvas na Paraíba tem provocado alguns transtornos para quase 50% dos municípios paraibanos, para quem vive da piscicultura intensiva será sinônimo de fartura na mesa e no bolso. De acordo com dados técnicos da divisão de piscicultura da Empresa Paraibana de Abastecimento e Serviços Agrícolas (Empasa), mais de 1.500 reservatórios de pequeno porte deverão produzir este ano em torno de 500 toneladas de pescado nos 223 municípios.
O engenheiro de pesca da estatal, Celso Duarte, disse que, apesar das chuvas insistirem em cair em muitos dos municípios da Paraíba, os piscicultores já podem fazer o povoamento de alevinos nos açudes de pequeno porte, pois não corre o risco de haver perdas através dos seus sangradouros. “Apesar disso, para aqueles que ainda estão sangrando, é necessário que os agricultores esperem pela normalização e acomodação do volume das águas”, lembra.
O presidente da Empasa, Edvan Leite, informa que desde o início do ano a estatal vem cumprindo o seu calendário anual de distribuição de alevinos, onde no período de janeiro a março foram distribuídas, de forma gratuita, mais de 151 mil unidades de carpa, tilápia e tambaqui em 18 municípios. “Por recomendação do governador Cássio Cunha Lima, a previsão é de que até setembro a empresa possa distribuir 5 milhões de alevinos”, informa.
A demanda por pescado vem sendo atendida conforme solicitações de produtores, desde que os mananciais estejam cadastrados na Empasa e apresentem condições técnicas para o peixamento. Para este mês, está programada a entrega de quase 200 mil alevinos na região do Cariri, que atenderá igual o número de agricultores, e no próximo mês, 17 comunidades rurais do Curimataú deverão ser atendidas pelo berçário de alevinos em Riachão com 200 mil filhotes de peixe de água doce.
A operacionalização do Programa Estadual de Piscicultura, pela Empasa e Secretaria Estadual do Desenvolvimento da Agropecuária e da Pesca, conta com o suporte da Estação de Piscicultura de Itaporanga e berçários de alevinos em Riachão, Patos e Sousa, que estão em fase de preparação (estocagem de alevinos) visando à disseminação de alevinos em toda a Paraíba, tão logo cesse o período chuvoso. A reserva da empresa já conta com 1 milhão de alevinos estocados.
“Com a oferta de alimento (peixe), há o favorecimento de novas alternativas de renda, melhorando a qualidade de vida dos agricultores que sobrevivem da atividade piscícola”, destaca Leite. A equipe técnica da Empasa faz algumas recomendações aos piscicultores como: avisar a estatal sobre qualquer mortalidade de peixes, não utilizar por um período de seis meses apetrechos de pesca (galão, tarrafa, rede, entre outros), procurar informações com a empresa a fim de tirar dúvidas com relação à criação de peixes, verificar no período de um ano quantos e quais as espécies que foram capturadas, e finalmente, solicitar uma avaliação para o seu peixamento.
Todo o sistema de peixamento em todo o Estado será acompanhado pela Empasa, conforme a execução do Programa Estadual de Piscicultura.