Esportes

Especial: Javalis põem Bauru no mapa do rugby

Wagner Teodoro
| Tempo de leitura: 14 min

Se você passar pelo Vitória Régia, às segundas e quartas-feiras à noite, é bem provável que veja um grupo de pessoas correndo pelo gramado e derrubando umas às outras. Se observar com mais atenção, verá que disputam uma bola oval e tentam carregá-la até a parte final do “campo” e tocar o solo com ela. São os Javalis, o time de rugby de Bauru.

Não conhece rugby? Não se culpe, a modalidade ainda é realmente pouco popular no Brasil, apesar de muito difundida no mundo, principalmente no Reino Unido, onde o rugby se originou, e em ex-colônias inglesas. Aos poucos, vem conquistando adeptos no Brasil e quem experimenta parece gostar. Os praticantes garantem que é viciante.

Quando os Javalis treinam, os curiosos que resolvem se aproximar costumam confundir o esporte com o futebol americano. Mas, apesar de enganar os leigos, um não tem a mínima relação com o outro. Quem assegura é André Lennon Lini Rafael, jogador e vice-presidente do Javalis Rugby Bauru, e Caroline Cansian, capitã do time feminino dos Javalis, que fazem questão de diferenciar os dois esportes.

“Futebol americano é um jogo de estratégia, basicamente. Você troca times. Se está atacando é um time, se vai defender, é outro. O rugby é o mesmo time, só que todo mundo ataca e defende junto. A própria formação do rugby é assim. Não tem defesa atrás e ataque na frente, a linha anda junta. O que diferencia o ataque da defesa é o peso dos jogadores, os forwards são muito mais pesados, porque tem a disputa de força. Quando você põe a bola para a linha, o jogo fica mais rápido. Então, o pessoal é mais leve e corre mais”, ensinam, juntos, Rafael e Cansian.

Outro fator de distinção é que no rugby não se usa a “armadura” com a qual os jogadores de futebol americano entram e campo, com proteções rígidas, feitas de plástico e alumínio, como capacetes, shoulder pads (proteção para a região dos ombros), hip pads (proteção para a região da coxa) e luvas. No rugby, as proteções são feitas de espuma e os jogadores usam apenas mais um protetor bucal, além dos uniformes e chuteira.

No rugby, a movimentação é frenética. O jogador que tem a posse de bola, o único que pode ser derrubado, é perseguido sem parar pela equipe rival. O que se vê são passes rápidos na busca de encontrar alguém desmarcado, que possa “cavar” uma brecha e correr até a área de pontuação para executar um try, ponto máximo. Tudo isso, é claro, em meio a bloqueios e quedas. E, mesmo no chão, a ação continua. É preciso entender o mínimo das regras para perceber que há ordem e não se trata simplesmente de sair derrubando os adversários.

A adaptação para quem pretende praticar o rugby leva certo tempo, admitem os Javalis. “Inicialmente não é muito fácil, porque é um esporte de muito contato e a pessoa tem que ser um pouco maleável quanto a isso. Eu mesmo demorei muito para começar a jogar com contato. O novato tem que aprender a passar, aprender algumas técnicas, porque não é você chegar e trombar em uma pessoa. Você tem que aprender o jeito de trombar, o jeito de cair”, afirma Rafael. “São muitas regras e demora um pouco até a pessoa se adaptar e conseguir se achar em campo. Cada jogador tem uma posição e cada posição, uma função definida. Todos têm que executar a sua para o jogo funcionar”, complementa Cansian.

Mas Rafael trata de tranqüilizar quem tenha interesse em começar a praticar o rugby e reforçar os Javalis. “Sempre tem novatos no time e estamos sempre começando do zero. A gente treina em vários níveis”, garante.

O jogo coletivo é fundamental no rugby. Não existem solistas, o time tem que funcionar como uma engrenagem, onde as peças trabalham juntas. Se não for assim, o resultado é a derrota. Esse é um ponto destacado pelos praticantes como vantagem do rugby sobre os outros esportes. “Você pode ter um cara muito bom no time, mas ele não vai salvar o time se os outros jogadores não jogarem com ele. Então, tem um coleguismo muito maior do que nos outros esportes”, avalia Rafael. “Um depende do outro. A própria formação do scrum, dos forwards, da defesa é um abraçado com o outro. O time inteiro tem que avançar junto”, lembra Cansian.

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Equipe faz divulgação e busca patrocínio

Há 10 anos, três estudantes da Unesp de Bauru tiveram a idéia de formar uma equipe de rugby na universidade. Surgiam os Javalis. Daquela época até hoje muita coisa aconteceu, mas o perfil do time permanece universitário. Aliás, o rugby no Brasil tem este perfil, segundo Caroline Cansian, capitã do time feminino dos Javalis.

Mas os Javalis resolveram que era hora de deixar de ser o apenas time da Unesp para se tornar o time da cidade. Em busca disso, sem deixar a identidade universitária da equipe, passou a fazer uma “campanha” de divulgação. Os treinos no Vitória Régia se transformaram em um trunfo para popularizar o rugby em Bauru.

“Estamos indo às faculdades fazer a divulgação na cantina. A gente leva uma televisão e passa os jogos, mostra as regras, leva os equipamentos, mostra os horários de treinos para ‘recrutar’ novos jogadores. Mas o que mais chamou a atenção foi ter mudado os treinos para o Vitória Régia, que é um lugar mais acessível, no meio da cidade, e todo mundo vê a gente treinando. Isso chamou gente de Bauru para os treinos. O horário também é atrativo. Tem o horário das 20h30, para quem trabalha durante o dia e não tem como ficar até tarde, e o depois das 23h, para o pessoal que estuda à noite”, comenta André Lennon Lini Rafael, jogador e vice-presidente dos Javalis. Atualmente, os Javalis disputam o Campeonato Paulista de Rugby do Interior, organizado pela Liga de Rugby do Interior Paulista, criada este ano e que está ligada à Federação Paulista de Rugby. O time bauruense tem como adversários os times de São Carlos, Jundiaí, Ribeirão Preto, Presidente Prudente, Campinas, Águas da Prata, Catanduva, Americana, Piracicaba e Rio Claro. Destes, apenas os três primeiros contam com patrocínio.

Não é o caso dos Javalis, que custeiam do próprio bolso sua participação em todas as etapas do Paulista e o equipamento necessário para praticar o esporte. Em fase de regulamentação da equipe, os Javalis buscam patrocínio para continuarem a competir. Os integrantes revelam que com 600 reais por mês é possível atender todas as necessidades do time.

Etapa em Bauru

Paralelamente ao patrocínio para a equipe, os Javalis buscam apoio para viabilizar a etapa de Bauru do Campeonato Paulista de Rugby do Interior, que está marcada para os dias 24 e 25 de maio. A equipe precisa disponibilizar a estrutura para o evento, alojamento para as equipes visitantes e arcar com as depesas de arbitragem. No momento, somente o campo está garantido: o campo da USP. A estimativa dos Javalis é que a etapa tenha um custo aproximado de 3 mil reais.

Em troca do apoio, os integrantes da equipe, em sua maioria universitários, oferecem trabalho voluntário, em suas respectivas áreas de formação, às empresas. “Tem também o nosso trabalho braçal”, brinca Rafael.

Os contatos para patrocínio do time, ou especificamente para a etapa, pode ser feitos pelo telefone 9162-3220, com o próprio Rafael e pelo e-mail javalisrugbybauru@yahoo.com.br. Ou ainda no site da equipe: www.javalisrugbybauru.com. Os Javalis treinam no Vitória Régia às segundas e quartas-feiras em dois horários, das 20h30 às 22h30 e das 23h à 1h45. Os técnicos são Vinícius Húngaro, que também é o presidente da equipe, e Carlo di Crivelli, que ainda desempenha o cargo de diretor esportivo.

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Meninas também jogam

Engana-se quem pensa que o rugby é um esporte exclusivo para o sexo masculino. As mulheres também marcam presença. Os Javalis contam com uma equipe feminina e campeonatos regulares são disputados no Brasil.

Com menor número de praticantes no time, as bauruenses costumam jogar em uma variação do rugby denominada seven, que não é exclusiva do feminino. Em vez de 15 atletas em campo, o time conta com sete. Segundo Caroline Cansian, capitã da equipe dos Javalis, no seven o contato é menor e o jogo ganha muita velocidade. “A meninas que se interessarem pelo rugby podem ficar tranqüilas, pois não existe tanto contato como no masculino. Se uma atleta consegue passar pela marcadora, ganha um grande espaço para correr e fazer o try”, considera Cansian.

O seven funciona muito bem para a disputa de amistosos e torneios, mas quando as Javalis vão disputar campeonatos, costumam juntar-se a outras equipes para formar o time com 15 jogadoras. O Brasil é a principal força da América Latina no rugby feminino. No masculino, a honra pertence à Argentina.

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História

A versão tradicional da história do Rugby diz que o criador deste esporte foi William Webb Ellis, um estudante londrino. Durante uma partida de futebol realizada em 1823, na Rugby School, o jovem teria ficado irritado com a monotonia do jogo e teria agarrado a bola nos braços e corrido o campo, provocando a ira de seus colegas, que tentaram pará-lo, agarrando-o de qualquer maneira.

Outra versão diz que a bola era carregada com os braços com freqüência durante os anos de 1820 e 1830. Estudantes da Rugby School dizem também que a bola carregada fazia parte do jogo há muito tempo, contrariando a história de William.

Apesar da contradição da origem, importantes instituições, como a French Rugby Federation, concedem grande importância à manutenção do túmulo de William Webb Ellis como um símbolo do surgimento do rugby. William viveu como pastor e foi sepultado no cemitério marítimo em Menton, França.

Em 1871 foi fundada a Rugby Union em Londres, e da Inglaterra expandiu-se para o mundo. No País de Gales, onde o rugby tem raízes profundas principalmente na população humilde, encontrou terreno propício para o seu desenvolvimento auxiliado pelo espírito do povo. Posteriormente, foi levado para a Escócia, Irlanda, continente europeu (notadamente para a França) e navegou rumo às colônias do Império Britânico: Austrália, África do Sul, Nova Zelândia, Canadá e Estados Unidos da América.

Um evento importantíssimo para o rugby é o Torneio das Seis Nações, realizado anualmente pelas equipes da Inglaterra, País de Gales, Irlanda, Escócia, França e Itália. Além deste evento, existe o torneio das Três Nações, disputado por Nova Zelândia, considerada a maior pontência do esporte atualmente, Austrália e África do Sul, atual campeã da Copa do Mundo. Além desses campeonatos, as principais seleções do mundo disputam anualmente uma série de amistosos, denominados Tests, os quais são muito valorizados no mundo do rugby.

O rugby é o segundo esporte de equipes mais popular no mundo, só sendo superado pelo futebol. Disputado em mais de 100 países, é extremamente popular no Reino Unido, Austrália, Nova Zelândia e África do Sul, sendo essas as grandes forças do desporto. É também bastante popular na França, Itália e Argentina. Apesar disto, está fora dos Jogos Olímpicos desde 1928.

A Copa do Mundo de Rugby é o principal evento entre seleções. Disputada a cada quatro anos, trata-se do terceiro evento desportivo mais visto no planeta, ficando atrás apenas da Copa do Mundo de Futebol e dos Jogos Olímpicos.

No Brasil

O rugby chegou ao Brasil no século retrasado, e, segundo o historiador Paulo Várzea, Charles Miller teria organizado em 1895 o primeiro time de rugby brasileiro, em São Paulo, e o primeiro clube a praticar o esporte, o Clube Brasileiro de Futebol Rugby, teria sido fundado em 1891.

O rugby começou a ser jogado regularmente no Brasil em 1925, no Campo dos Ingleses, pertencente ao São Paulo Athletic Club, em Pirituba, São Paulo. Durante o período de 1926 a 1940, foram organizados jogos interestaduais entre os quadros paulista e carioca. Eram também realizados jogos internacionais, como contra os Springboks em 1932, e contra a Seleção Britânica em 1936. De 1941 a 1946 houve uma interrupção nos jogos, devido à Segunda Guerra Mundial, sendo retomados em 1947.

Atualmente, acontecem várias competições nas categorias adulto, juvenil e universitário no País. As principais competições realizadas são o Campeonato Brasileiro de Rugby da Primeira Divisão, Campeonato Brasileiro da Segunda Divisão, a Copa Brasil e o Campeonato Paulista e o Campeonato Paulista do Interior. Também são disputadas a Liga Sul de Rugby e o Campeonato Fluminense Adulto. (Fonte: Federação Paulista de Rugby)

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Glossário

Vocabulário básico do rugby

Conversão - Efetuado um try, a equipe que pontuou recebe a chance de fazer uma conversão, que consiste em chutar a bola, ou via drop-kick ou apoiada ao solo, por cima do H, bonificando o acerto com mais 2 pontos no placar.

Drop-kick - Um tipo de chute no qual a bola deve sair das mãos do jogador, quicar no chão e, na seqüência, ser chutada. Com esse chute inicia-se a partida, faz-se conversões e até mesmo, no meio do jogo, se o drop passar pelo H, bonifica-se com 3 pontos a equipe.

Forward - Os jogadores mais pesados do time, a linha de defesa. Esses jogadores fazem o scrum e geralmente estão em quase todos rucks e mauls. No total são em 8: 2 pilares, 1 hooker, 2 segundas linha, 2 asas e 1 oitavo.

Forward Pass - Do inglês “passe para frente”. Consiste em uma falta técnica do rugby; acontece quando o jogador passa a bola para um companheiro à sua frente. Penalizado com um scrum para o time que não cometeu a infração.

Free-kick - Infrações médias; cobrado de duas maneiras: para a lateral, mas a posse de bola é do time adversário, ou a saída para o ataque, a mais comum.

“H” - É a trave do rugby. Possui formato de H, com as traves laterais sendo bem altas.

In-goal - Linha de meta, fica atrás das linhas de fundo do campo e é onde deve-se fazer os tries.

Knock-on - Outra falta técnica no rugby. Acontece quando o jogador não consegue segurar a bola de maneira que, a partir dele, ou batendo nele, ela vá para frente, para o lado do adversário do campo. Também penalizado com um scrum à equipe não infratora.

Line-out - É a cobrança de lateral no rugby, onde posicionam-se os dois times em linha perpendicular à lateral, na marca onde a bola saiu, e disputam a bola, geralmente no ar.

Linha/Back - Os jogadores mais rápidos em campo. Em oposição aos forwards, poderiam ser considerados como o ataque. No total são em 7: 1 half-scrum, 1 abertura, 2 centros, 2 pontas (“normal” e “invertido”) e 1 fullback.

Maul - Um tipo de formação do rugby, quando a bola está em movimento. Consiste em pelo menos dois jogadores da equipe portadora da bola e um da equipe adversária. No entanto, não existe um número máximo. Os jogadores, em pé e em contato físico, ao redor de um jogador que está com a bola.

Penal - Infrações graves. Impedimento, tackle alto, forward pass proposital, agressão, etc; Pode ser cobrado de três maneiras: chute para a lateral do campo; line-out a favor da equipe não infratora; chute direto para o H. Se acertado, 3 pontos para a equipe não infratora e sair jogando normalmente.

Penal-Try - Um penal proposital perto do in-goal pode render um penal-try ao outro time, que consiste em marcar os 5 pontos do try para o time não infrator ainda com a possibilidade de execução de um penal.

PushOver Try - Geralmente acontece com um scrum na linha das 5. É quando o scrum atacante carrega o scrum adversário para o seu próprio in-goal, uma vez dentro do in-goal, o oitavo ou o half, somente toca a bola e o try é deferido.

Ruck - Outro tipo de formação muito comum, geralmente acontece quando um jogador, portanto a bola, é tackleado. É formado quando a bola está no solo e um ou mais jogadores de cada equipe, estando sobre seus pés e em contato físico, estejam próximos à bola entre eles.

Scrum - É o pack formado pelos forwards das duas equipes em campo. Posiciona-se a primeira linha (pilares e hooker), logo atrás a segunda linha, ao redor da segunda entram os terceiras linha (asas e oitavo). A bola é introduzida no meio do corredor formado pelo half-scrum, os hookers disputam essa bola enquanto os outros ficam encarregados de empurrar e manter o scrum reto. Tem a posse de bola para o half abri-la a equipe que tiver a mesma no pé de seu oitavo.

Tackle - O modo como os jogadores em campo derrubam uns aos outros. O tackle só pode ser aplicado no jogador com a posse de bola e consiste em, utilizando os ombros e o corpo, efetuar um choque no adversário e logo em seguida segurar as suas pernas, o jogador tackleado, sem mobilidade, cai em campo.

Try - É a pontuação máxima do esporte, consiste em carregar a bola até a área do in-goal e apoiá-la no chão. Essa investida vale 5 pontos, dando a oportunidade de conversão que pode render mais 2 pontos à equipe atacante. Fonte: site www.javalisrugbybauru.com

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