Polícia

Entidades sugerem motoboy certificado

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 3 min

O número de acidentes envolvendo motociclistas em Bauru é grande. De acordo com a Polícia Militar (PM), cinco pessoas morreram nas ruas da cidade vítimas de ocorrências com estes veículos neste ano. A última foi no sábado passado. Ronaldo Mattos da Silva, 23 anos, morreu após cair com sua motocicleta na quadra 40 da avenida Rodrigues Alves. Com o objetivo de estimular a direção preventiva, evitar acidentes e profissionalizar o setor, foi discutida durante uma reunião realizada ontem na sede do 4º Batalhão de Polícia Militar do Interior (4º BPMI), a possibilidade da criação de um certificado de capacitação para motociclistas empregados ou terceirizados na área de entregas.

Participaram da reunião o comando da PM, empresários que contratam serviços de entregas em motocicletas, representante de uma cooperativa de motoboys e dirigentes do Serviço Social do Transporte/Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte (Sest/Senat).

Entre as propostas discutidas na reunião, a criação de uma espécie de certificação para motociclistas que trabalham com entregas foi uma das que mais agradaram os participantes do encontro. Donizete Batista Mendes, da Coopevia - entidade que reúne cerca de 70 trabalhadores da área -, analisa que os cooperados deverão aderir à idéia. “É uma qualificação que, quem possuir, terá preferência no momento da contratação. Vamos incentivar o pessoal e indicar esta possibilidade para quem vai entrar na cooperativa”, diz.

Nélson Scarpelli Júnior, presidente do Conselho Comunitário de Segurança (Conseg) Centro-Sul e proprietário do Habibi’s, avalia que a exigência da qualificação no momento da contratação de um motociclista para entregas é uma forma de motivar os condutores a praticar uma direção mais segura. “É uma sugestão que surgiu neste encontro e que ainda deverá ser estudada. Mas é um incentivo. Para trabalhar na prestação de serviços de entrega, precisa ter esta certificação”, explica o empresário.

Ele acredita que outros comerciantes deverão aceitar a proposta. “Foi uma idéia intuitiva, mas acho que terá adesão”, pondera. Para o grupo, ao expor a marca da empresa nas bolsas dos motociclistas, o empresário também corre um risco quando o condutor se envolve em um acidente. Ao pedir a qualificação, a expectativa é reduzir esta possibilidade.

O Sest/Senat e a Polícia Militar deverão participar da parceria com palestras e material didático. “Os dados estatísticos sobre acidentes envolvendo motociclistas nos preocupa. Nesta proposta, o Sest/Senat poderia contribuir com a parte de treinamento e qualificação dos interessados”, observa Milton Yamada, diretor da entidade dos trabalhadores no transporte.

O major Nélson Garcia Filho, subcomandante do 4.º BPMI, avalia positivamente o primeiro encontro com as entidades. “Daqui saíram idéias para implementar ações envolvendo motociclistas. Pretendemos conhecer os cooperados, discutir a iniciativa com o Conseg. Foi um pontapé inicial”, diz.

E para atrair os motoboys, inicialmente o grupo recorrerá a palestras sobre direção preventiva. O major Augusto Cação, do Policiamento Rodoviário, preparou uma exibição de tópicos que abordam desde as pequenas infrações de trânsito até prevenção de acidentes e legislação.

Os motociclistas interessados deverão conhecer diversos temas relacionados à segurança nas ruas e rodovias e também das conseqüências da condução imprudente.

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