Brasília - O ministro Tarso Genro (Justiça) negou ontem a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defender mudanças na Constituição para garantir um terceiro mandato presidencial. Segundo Tarso, a discussão sobre terceiro mandato foi criada pela oposição.
Ele afirmou que o governo federal não será influenciado pela pesquisa CNT/Sensus, divulgada anteontem, mostrando que 50,4% dos entrevistados apóiam mais uma gestão de Lula.
“Eu digo que isso não vai influenciar o presidente Lula nem o governo a mudar a Constituição, não tenho dúvida. O presidente é contra uma reforma constitucional para possibilitar o terceiro mandato”, afirmou Tarso. “Não há possibilidade de o governo acolher ou da base se mobilizar para fazer qualquer reforma constitucional.”
Tarso criticou a oposição, que na sua opinião, estaria insistindo em colocar o tema terceiro mandato em debate para antecipar a disputa eleitoral de 2010. “Isso está ocorrendo na minha opinião por duas razões fundamentais: primeiro porque essa discussão foi posta de maneira insistente pela oposição. Insistente e descabida na minha opinião, posta de maneira que o presidente vem reiterando que não é candidato, antecipando a disputa eleitoral. A oposição provocou essa antecipação.”
O ministro disse ainda que Lula não quer antecipar a disputa presidencial, mas reconheceu que a avalia positiva do governo, apontada pela CNT/Sensus, e o apoio de parte do eleitorado também ser considerados pelos aliados.
“O presidente Lula tem um acolhimento da população de 70% e essa idéia do terceiro mandato começa a se disseminar na sociedade. E isso não é bom porque antecipa a questão eleitoral, porque o presidente não quer, o partido não quer, a sociedade não quer uma reforma constitucional para viabilizar o terceiro mandato”, disse Tarso. “Como disse um amigo meu recentemente: ‘é muito melhor escutar fica Lula do que fora Lula. Isso é produto do bom governo que o presidente está fazendo.”
Os comentários de Tarso ocorreram na sede do prédio da OAB nacional, em Brasília, onde o presidente da entidade, Cezar Britto, condenou por várias vezes a possibilidade de haver um terceiro mandato presidencial. “Os mandatos têm que ter prazos de validade. É da essência da democracia. Mudar a regra do jogo durante o próprio jogo é golpe”, afirmou Britto. “Que fique claro: o terceiro mandato de Lula seria golpe, seria um atentado à democracia.”