São Paulo -O ministro Carlos Lupi (Trabalho) disse ontem, na festa da Central Única dos Trabalhadores (CUT) em Interlagos, na zona sul de São Paulo, que a reivindicação dos trabalhadores de redução da jornada de trabalho é justa, mas que exige negociação. A redução de 44 horas para 40 horas, sem perda salarial, foi tema das festas das centrais sindicais neste ano.
Lupi destacou que no papel de ministro, deve negociar a proposta com sindicatos dos trabalhadores e patronais. Mais cedo, Lupi passou pela festa da Força Sindical e defendeu a desoneração da folha de pagamento, apresentado pelo ministro extraordinário de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger. “Acho que é justa a reivindicação dos trabalhadores. Como ministro de Estado, não compete a mim fazer qualquer tipo de campanha a favor ou contra o reivindicação. Acho que tem de passar primeiro pelo Congresso Nacional”, disse o ministro.
Como cidadão, porém, Lupi disse que defende a proposta. “Por exemplo, se a bancada do PDT quiser ouvir a minha opinião, enquanto cidadão, é favorável. Agora, como ministro de Estado eu tenho de negociar, ouvir a parte patronal e buscar uma saída de consenso. Quanto cidadão acho justo e a maior parte dos países modernos faz isso”, disse.
O ministro lembrou o estudo do Dieese que aponta a criação de 1,8 milhão a 2 milhões de novos empregos com a redução da jornada de trabalho. “Se você está diminuindo a jornada, você tem de ter mais trabalhadores produzindo (...). Será que o patronato vai fazer isso? Porque eles trabalham com custo e é natural e legítimo. Eu temo por qualquer tipo de reivindicação que possa gerar diminuição do salário ou desemprego”, disse.
“A questão da desoneração é muito positiva porque, em tese, ela traz automaticamente a geração de emprego. Mas tem de estar muito amarrada, senão você faz a desoneração fiscal e ninguém quer gerar emprego”, afirmou o ministro, que participou da comemoração do Dia do Trabalho realizada pela Força Sindical na Praça Campo de Bagatelle, na zona norte de São Paulo.
Lupi afirmou que a proposta também deve considerar a Previdência Social. “Há uma preocupação porque a Previdência já tem muitos problemas. Nós não podemos agravar a situação da Previdência. Então é algo que está sendo debatido, não está terminado o projeto”, disse o ministro.
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