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Capitalismo humano


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Numa conceituação bem simples, o capitalismo, ou sistema capitalista, é aquele em que as pessoas podem ter propriedades. Podem ganhar dinheiro, formar capital e montar negócios. E, se conseguirem, podem acumular fortuna, sem limites. A revista americana Forbes costuma publicar a lista dos bilionários, que antigamente eram chamados de milionários. Por exemplo, nos Estados Unidos: Warren Buffett – US$ 62 bi e Bill Gates – US$ 50 bi; no México: Carlos Slim – US$ 60 bi e no Brasil: Antonio Ermírio de Moraes – US$ 10 bi e José Paulo Lemann – US$ 5,8 bilhões. A Rússia, depois que deixou o comunismo também já possui os seus bilionários.

Nesse sistema as pessoas têm o direito de propriedade privada e de contratar empregados. O empregado, conseguindo acumular ou herdar algum capital pode tornar-se patrão e o patrão, perdendo o capital, pode tornar-se empregado. É, portanto, um sistema de liberdade, ao contrário do socialismo comunista em que o Estado é o dono de tudo, com duas classes de empregados: os que ficam no poder e vivem como os ricos do sistema capitalista, e os que trabalham e vivem na pobreza.

Sob o aspecto econômico, o capitalismo é o que tem melhor produtividade. Na agricultura, a produção de milho, soja, trigo, arroz etc. por hectare plantado atinge os melhores índices. Também a pecuária de corte e leiteira dão os melhores resultados. Outro tanto com a indústria, onde a mão-de-obra mais qualificada e as fábricas mais automatizadas produzem mais e de melhor qualidade. Como contrastes estão os países que ainda permanecem no socialismo comunista, que amargam grande atraso, como a Coréia do Norte e Cuba. Em Cuba, o próprio jornal oficial, o “Granma”, apontou que a maior dificuldade para a mudança cubana, pós Fidel Castro, é a preguiça. E cita casos de trabalhadores indolentes, dormindo no horário de trabalho e desinteressados por melhoria.

A natureza egoísta do homem, entretanto, acaba abusando da liberdade do sistema capitalista. Essa liberdade não significa direito de ganhar dinheiro e fazer fortuna com o sacrifício de outros. Explorar o trabalhador, inclusive infantil; explorar o comércio com cartéis e oligopólios; construir fábricas que não respeitam o meio ambiente, poluindo o ar e os rios; desmatar em grande escala para comercializar madeira, criar gado e plantar soja, enfim, usar o poder do dinheiro para fazer mais dinheiro em detrimento da maioria da população, é o lado negativo, do qual resultou a expressão: capitalismo selvagem. A riqueza fica acumulada na mão de uma minoria, em desfavor de uma maioria que vive em condições precárias e de pobreza.

Apesar de todos esses aspectos negativos, o capitalismo é o único sistema capaz de produzir alimentos em quantidade suficiente para enfrentar a crise que está alarmando o mundo. Mas para tanto é necessário que o capitalismo se torne menos selvagem e mais humano. De destruidor passe a protetor e restaurador das condições da natureza. Que freie a ganância de enriquecimento, que sempre quer mais, muito além dos limites de satisfação de todas as necessidades e desejos imagináveis. Há um ponto, além do qual o dinheiro nada mais representa para quem o possui, a não ser o gozo da posse. Esse excesso, aplicado em atividade produtiva, dando emprego para os que podem trabalhar e amparando os que não podem, tornaria o capitalismo mais humano. Mas a mudança tem que partir dos próprios capitalistas, que devem desejar um mundo melhor para si e para os seus. Bill Gates já começou a puxar o cordão. Sua idéia é que “O gênio do capitalismo está em sua capacidade de fazer o auto-interesse servir a interesses mais amplos.” Pondo em prática, criou uma fundação que tem 70 bilhões de dólares para distribuir até 50 anos após a sua morte (Exame-CEO-abril).

O autor, Pedro Grava Zanotelli, é consultor e ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

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