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Álvaro Dias acusado na CPI dos Cartões

Folhapress
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Brasília - O relator da CPI dos Cartões Corporativos, deputado Luiz Sérgio (PT-RJ), atribuiu ontem ao senador Álvaro Dias (PSDB-PR) a responsabilidade pela montagem do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso com cartões corporativos. Apesar do laudo do ITI (Instituto de Tecnologia da Informação) ter apontado que o dossiê saiu pronto da Casa Civil, Sérgio disse à reportagem que Dias pode ter manipulado informações do banco de dados do órgão para divulgar o dossiê.

“Um fato que seria muito esclarecedor seria saber se o André Fernandes (assessor de Álvaro Dias), ao receber o material, manipulou esses dados ou não. Se ele manipulou dados do Suprim (controle de suprimento de fundos da Presidência da República), isso é muito grave’’, afirmou Sérgio.

O relator disse que precisa esclarecer se Álvaro Dias divulgou para a imprensa o material recebido da Casa Civil ou se manuseou os dados de acordo com o seu próprio interesse. “O senador Dias, ao repassar as informações para a imprensa, passou o que efetivamente recebeu ou manipulou os dados? São perguntas que estão sem resposta’’, disse o relator.

Na opinião de Arthur Virgílio (AM), o secretário apontado como responsável pelo vazamento é apenas a “ponta do iceberg’’ em um esquema político que teve como objetivo prejudicar o ex-presidente FHC.

José Dirceu

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu chamou de “factóide” a polêmica sobre o dossiê com gastos do governo FHC. A afirmação foi feita ontem, em Campo Grande, após sua participação como palestrante em um encontro estadual do PT.

“Eu considero esse assunto do dossiê um factóide. Isso não tem nenhuma importância para o Brasil. É zero. Primeiro, que nem se tem segurança jurídica de que os dados eram sigilosos. Segundo, porque não está provado que se fez nenhum dossiê. Em relação ao vazamento, têm de ser tomadas as devidas providências legais.”

CPI convocará funcionário

A CPI dos Cartões Corporativos vai se reunir na próxima terça-feira para colocar em votação os requerimentos de convocação do secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires, e do assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes. Aparecido é apontado como vazador do dossiê elaborado no Palácio do Planalto com gastos de FHC, enquanto Fernandes teria trocado e-mails com o secretário para receber o dossiê.

Serrano não quis adiantar se pretende também colocar em votação requerimento de convocação da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) “A ministra disse que não havia dossiê e agora temos até a pessoa responsável, que não é da oposição, e sim da situação. Agora não tem mais como a ministra dizer que não houve dossiê’’, afirmou.

Para o senador João Pedro (PT-AM) “a ministra não mentiu, é má fé da oposição. Em setembro de 2005 a ministra respondeu um requerimento do senador Arthur Virgílio dizendo dos bancos de dados que a Casa Civil estava elaborando. Desde 2005 o Senado sabia da existência do banco de dados’’, afirmou.

Álvaro Dias nega

O senador Álvaro Dias (PSDB-PR) afirmou ontem que o mais importante neste momento é descobrir quem ordenou a elaboração do dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

“O mais importante é saber quem deu a ordem para elaborar o dossiê. Não repassei o dossiê para ninguém, a imprensa tem mais fontes do que eu, a imprensa conseguiu antes do que eu”, afirmou.

O dossiê foi vazado pelo secretário de Controle Interno da Casa Civil, José Aparecido Nunes Pires. As investigações detectaram troca de e-mails entre José Aparecido e um assessor do senador Álvaro Dias.

Aparecido foi o único dos cinco secretários e diretores da Casa Civil a ter o computador apreendido pela sindicância aberta por Dilma Rousseff. Ele é militante histórico do PT. Foi levado para a Casa Civil por Dirceu, o antecessor da ministra Dilma.

Segundo Dias, quando seu assessor recebeu o e-mail, pediu para ler o documento. “O documento saiu da Casa Civil, do computador de José Aparecido e chegou ao meu assessor. Isso já está confirmado. E ele, no estrito cumprimento de seu dever legal, me comunicou. Se não o fizesse, ele estaria praticando uma infração administrativa. Eu pedi para ver o documento, ele me forneceu as cópias e pediu para que eu fizesse sigilo da fonte. O importante é saber quem elaborou o dossiê, quem vazou já se sabe. Foi o José Aparecido. Provavelmente existem outras fontes de vazamento na Casa Civil.” O senador ainda afirmou não ter idéia dos motivos que levaram o militante petista a encaminhar o dossiê para ele.

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