Não dá ...não agüento mais ouvir falarem no caso Isabella.
O que temos visto é uma reedição do circo de Roma, com seus espectadores sedentos por sangue.
O triste nesta situação é saber que há tantos outros casos semelhantes que, por não terem tido a mesma atenção por parte dos meios de comunicação e conseqüentemente por parte da sociedade, encontram-se no ostracismo, e suas vítimas sofrem sozinhas a espera de uma solução que talvez nunca chegue.
Triste também é saber que, sendo a nossa sociedade “imagética”, onde as imagens valem mais que palavras, se não “sair” na tv, o fato não existiu. A tv surge aí como forma de referendo ao real. Mas o que é real?
Se tomarmos o noticiário televisivo como reflexo do que permeia nosso cotidiano, encontraremos apenas motivos para nos encarcerarmos cada vez mais em nossos lares/prisão. A vida é muito mais que grades no portão! A quantidade de pessoas (ditas más) que se encontram nos primeiros degraus do caminho do bem (todos estamos fadados a sermos bons) é bem menor dos que as que já se conscientizaram de que o bem nos remete ao bem.
O que quero dizer é que existe um número expressivamente maior de pessoas que se dedicam ao bem estar do próximo, pessoas que procuram tornar este mundo um lugar melhor para se viver. São ações que, infelizmente, não dão ibope!
Mas se atos insanos dão ibope, é por que alguém os assiste. Na verdade, a pergunta correta neste lodaçal de imagens negativas é: Por que alguém dedica seu tempo a apreciar (é, apreciar mesmo) fatos que transmitem vibrações tão negativas como o do caso do assassinato da pequena Isabela?
Passaram-se milhares de anos desde a existência do Circo de Roma e a evolução moral do ser humano parece não ter acompanhado a sua evolução tecnológica. Durante este tempo tivemos exemplos que marcaram a existência humana como símbolos de bondade e abnegação em favor do bem: Jesus Cristo (nosso grande mestre), Gandhi, Madre Tereza, Chico Xavier, João Paulo II, o Zé, a dona Maria, e tantos outros que, silenciosos, dando satisfação apenas a sua consciência, dedicam parte de suas vidas á prática do bem. Pessoas que compreenderam que ajudando a outros, ajudam muito mais a si mesmo.
Meu medo não é ouvir o grito ensurdecedor dos maus. Assustador mesmo é quando os bons se calam.
Deixo-vos com uma frase de François Rabelais: Muitos não puderam quando deviam, por que não quiseram quando podiam!!!
Ainda há tempo. Enquanto o filme não muda....clic! vou colocar minha leitura em dia.
O autor, José Reginaldo Furtado, é professor e colaborador de Opinião