Espírito Santo do Turvo - As sacolas plásticas levadas diariamente pelos consumidores aos supermercados, farmácias, locadoras e a tantos outros estabelecimentos vão demorar até 300 anos para se decompor e emitirão gases ao longo de todo o processo, se descartadas na natureza. Por esse motivo, os ambientalistas já defendem a diminuição gradativa do uso até sua extinção. Pensando nesse nicho de mercado, o projeto de geração de renda da cidade de Espirito Santo do Turvo (75 quilômetros de Bauru) desenvolveu um modelo prático e acessível, que além de beneficiar o meio ambiente, vai gerar renda para dez mulheres.
Para que o produto conquiste as donas de casa, o projeto desenvolveu um modelo fácil de ser carregado: ele vira uma carteira, explica a gestora da Assistência Social do município, Siulmara Cristina Nicolini.
“As sacolas são confeccionadas em algodão cru, incrementadas com técnicas que as deixam coloridas. Ela vai dobrando e depois de várias dobras fica uma bolsinha do tamanho de uma carteira.”
Para ela, o tamanho é um dos atrativos da bolsa de tecido, que poderá ser usada inúmeras vezes e não polui o meio ambiente. “Pode ser usada sempre para carregar as compras, seja do supermercado, farmácia, feira etc. Como fica pequena, é fácil de carregar,” argumenta.
Para confeccionar as sacolas em algodão cru, o grupo de mulheres vai contar com um ‘empurrãozinho’ da prefeitura, que vai fornecer a matéria-prima inicial e com a ‘força’ da comunidade, que vai emprestar as máquinas de costura.
Segundo Nicolini, a venda das sacolas vai gerar verba para pagamento da mão-de-obra para o grupo de mulheres e ainda, capital de giro para aquisição de novos materiais. “O grupo terá que se estruturar. Vão ter que comprar as máquinas e o material para confecção, portanto vamos dividir o que for arrecadado com a venda.”
Otimista, a gestora aposta que num futuro bem próximo será possível montar uma cooperatira. “Uma oficina direcionada a confecção de bolsas, sacolas e cintos, tanto na reciclagem do couro como de algodão cru.”
O público alvo, de acordo com Nicolini são os super e hipermercados da cidade e da região. “Aqui temos cerca de cinco mil habitantes e três supermercados. Por isso, estamos procurando parceiros da região que possam colaborar com o projeto e com o meio ambiente.”
Ela calcula que cada uma das dez mulheres do grupo consiga fazer dez bolsas/dia que no final do mês serão 200. “Nosso potencial de fabricação é esse. Cada peça chegará ao consumidor final por um preço entre R$ 30,00 e R$ 35,00.”
As dez mulheres que participam do grupo de Geração de Renda são consideradas pela assistência social do município como pessoas vulnerabilizadas socialmente, que apresentam quebra de vínculos afetivos. Ela recebem pela mão-de-obra cerca de 20% do preço final do produto.
O grupo trabalha, atualmente, na confecção de bolsas e cintos. “É uma parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai). Elas usam restos de couro das fábricas de calçados.”
Os modelos das bolsas e cintos confeccionados pelo grupo com restos de couro foram desenvolvidos por uma designer holandesa, Leervan Roos que elaborou os desenhos antes de deixar a cidade.
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Problemas ambientais
Segundo dados da Secretaria do Meio Ambiente de Estado das 12 mil toneladas de lixo geradas diariamente na Capital, mil são de plásticos. Esse produto aumenta em até 20% o volume do lixo, embora sua massa corresponda a apenas 4% dos resíduos. Outros inconvenientes são o fato de a sacola ser impermeável e demorar até 300 anos para se decompor – e emitir gases ao longo desse processo. Descartada no ambiente, por ser maleável e leve, o saco e a sacola plástica também entopem bueiros e facilitam enchentes nas cidades. Nas áreas verdes, rios e mares é comum encontrar animais mortos por asfixia e ingestão das embalagens.
No mundo são consumidos 500 bilhões de sacolas por ano. A utilização da embalagem plástica em larga escala cresceu na segunda metade do século passado, em especial na década de 70, quando substituiu o saco de papel.
Os brasileiros jogam fora, todos os meses, um bilhão de sacolinhas. Em média, são 66 unidades por ano para cada consumidor. A SMA pretende desestimular o uso irracional. Conter desperdícios, como acondicionar sacos plásticos dentro de outra sacola maior, e incentivar o uso de embalagem reciclável e não poluidora, capaz de oferecer resistência e ser reaproveitada várias vezes.