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Pesquisador da USP alerta para risco da hepatite C ser a ‘nova’ epidemia

Davi Venturino
| Tempo de leitura: 4 min

Especialistas do Instituto de Ciências Biomédicas (ICB) da Universidade de São Paulo (USP) alertam para o perigo dos vírus emergentes, que voltam a fazer vítimas humanas. O caso mais concreto e amplamente divulgado pela mídia é a epidemia de dengue no Rio de Janeiro. Depois da aids, a próxima epidemia a atingir a humanidade poderá ser a da hepatite C, segundo o professor Edson Durigon, titular do ICB.

Pesquisador das novas viroses que atingem o Brasil, ele frisa que uma das principais causas do retorno de doenças anteriormente controladas é a falta de investimentos em pesquisas e da continuidade dos programas governamentais. “A dengue e a febre amarela são doenças bastante sérias, transmitidas por mosquitos, e que já tinham sido erradicadas das cidades desde a época de Oswaldo Cruz (médico sanitarista). Com o passar do tempo, foi se descuidando de se tomar os cuidados para eliminar os mosquitos (transmissores)”, explica.

Além de doenças antigas, o pesquisador alerta para as novas que já são realidade em outros países e que podem chegar ao Brasil. É o caso da doença conhecida por Oeste do Nilo, que surgiu no ano 2000 nos Estados Unidos e registrou casos em todo país em três anos. Ela também foi registrado no México e dois casos em animais na Argentina.

“É uma doença que a transmissão é muito semelhante à da dengue, é por mosquito. Por isso que assusta muito. É uma encefalite que leva à morte principalmente pessoas idosas e crianças pequenas”, relata. Ele lembra que, apesar de nenhum caso até agora ter sido registrado no Brasil, existe grande chance disso vir a acontecer no futuro.

No entanto, Durigon acredita que outra doença, a hepatite C, é que será a grande vilã deste século. “A grande epidemia mais conhecida que nós tivemos no século passado foi a aids. No século 21, o que está previsto é uma grande epidemia da hepatite C. Uma doença extremamente silenciosa que as pessoas só descobrem quando vão doar sangue ou fazer check-up. Quando descobre clinicamente, a doença passa a ter uma caráter muito grave”, comenta.

A também integrante do ICB, Silvana Favoretto, especialista e pesquisadora da raiva, lembra que o quadro desta zoonose hoje no País é mais confortável do que há cerca de cinco anos. Segundo ela, a raiva está controlada no Brasil com poucos registros de casos em humanos. “Nós tínhamos, até 2003, uma média de 27 casos humanos no Brasil por ano. Mas os programas de profilaxia da doença, tanto no Ministério da Saúde quanto no Ministério da Agricultura, têm tido muito êxito”, diz.

Segundo ela, o país teve apenas um caso de raiva em humanos no ano passado – conforme dados da Organização Panamericana da Saúde. De acordo com a pesquisadora, este ano ainda não houve nenhum caso registrado.

O professor Durigon lembra que a mais popular das micoses superficiais conhecida da população é a pitiríase, ou micose das praias (apesar de não ter nada a ver com as praias). Este tipo de micose é facilmente tratável e aparece na parte externa do corpo humano.

O problema, segundo o professor, são as micoses sistêmicas. “Os indivíduos a adquirem através de aspiração do fungo. Tem sintomatologia primeiro pulmonar e, de lá, vai para outros órgãos”, explica. Ele cita o fungo paracoccidióides brasilienses em que o maior número de casos ocorre no Brasil.

Ao contrário das micoses superficiais, que são de baixa gravidade e aparecem na parte externa do corpo, as sistêmicas são profundas e internas, podendo levar à morte.

Ambos os pesquisadores estiveram em Bauru recentemente, para o início das aulas da terceira turma do curso de pós-graduação em microbiologia nas Faculdades Integradas de Bauru (FIB).

Além dos professores Durigon e Favoretto, também faz parte do quadro de especialistas que ministraram o curso na FIB o professor titular do Laboratório de Micologia (fungos) do ICB da USP, Walderez Gambale.

Natureza

Além das doenças, a microbiologia também estuda meios de combater a poluição. O coordenador do curso de pós-graduação sobre microbiologia da FIB, Manoel Rodrigues dos Santos, revela que a instituição está participando de um projeto envolvendo bactérias bioremediadoras que ajudam a “limpar” as águas de lagos e rios.

Segundo ele, microorganismos naturais retirados da natureza estão sendo utilizados para combater substâncias poluidoras das águas expelidas por esgotos industriais. “A microbiologia identifica microorganismos resistentes aos materiais poluentes e o coloca na água para limpá-la”, simplifica o coordenador.

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