Altamira - A Polícia Federal em Altamira (777 km de Belém) instaurou um inquérito para investigar a agressão sofrida pelo engenheiro da Eletrobrás Paulo Fernando Rezende por um grupo de índios. O engenheiro participava de um encontro para discutir a construção de barragens na bacia do rio Xingu quando foi ferido depois de participar em um debate.
De acordo com a PF, a investigação está analisando as fotografias e filmagens feitas no local. Até agora, a PF não identificou o agressor, mas as imagens mostram que um dos integrantes do grupo de índios que se aproximou de Rezende desferiu um golpe de facão, que rasgou a camisa do engenheiro e fez um corte profundo.
Ainda segundo a PF, os organizadores do evento serão chamados para depor, já que eram os responsáveis pela segurança. A polícia também investiga os responsáveis por amar os índios.
O crime
Rezende falava a uma platéia de aproximadamente mil pessoas, no ginásio poliesportivo da cidade. Desde o início da sua fala, com argumentos favoráveis à construção da usina, foi muito vaiado pela platéia. Os índios permaneciam calados. Não se sabe quantos estavam no local, mas há aproximadamente 600 em Altamira acompanhando o encontro.
Rezende afirmou que o impacto ambiental da usina seria menor do que os ambientalistas davam a entender. Depois que ele terminou de falar, Roquivam Alves da Silva, do MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens), disse à platéia: “Nós iremos à guerra para defender o Xingu se for preciso”.
Então, índios de diversas etnias, sobretudo caiapós, levantaram-se e começaram a gritar, cantar, dançar em círculos e se aproximar lentamente de onde estavam os palestrantes. Armados de facões e bordunas, eles cercaram o grupo e não deixaram ninguém sair. A confusão era acompanhada por policiais militares, que não intervieram.Após cerca de dez minutos, organizadores do evento conseguiram tirar o engenheiro do cerco, mas ele já estava ferido. Silva negou incitação ao ataque.
Parte da tensão se devia ao fato de a Justiça Federal ter derrubado a liminar que impedia o início dos estudos de viabilidade de Belo Monte.
Para Funai é ‘fato isolado’
O presidente da Funai (Fundação Nacional do Índio), Márcio Meira, criticou ontem a agressão.Segundo Meira, nada justifica um ato de violência. Ele disse ainda que a instituição mantém um diálogo permanente com a etnia caiapó, cujos integrantes são suspeitos de terem cometido as agressões. Para Meira, a agressão foi “um fato isolado motivado pelo clima da discussão”.