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TV Cultura exibe almanaque visual sobre Maio de 1968

Por Mauricio Puls | Folhapress
| Tempo de leitura: 1 min

A TV Cultura exibe de amanhã para segunda, à meia-noite, um documentário sobre as manifestações estudantis que marcaram 1968. O programa está centrado nas mobilizações ocorridas na França, no Brasil e nos EUA, mas aborda também, de passagem, a Primavera de Praga, na então Tchecoslováquia, o massacre de Tlatelolco, no México, os assassinatos de Martin Luther King e de Robert Kennedy, nos EUA, e a ofensiva do Tet, no Vietnã.

A acumulação de tantos fatos históricos num período de tempo tão curto impressiona, e Zuenir Ventura chama a atenção, em seu depoimento, para o “sincronismo absolutamente misterioso” que se manifesta no mundo - e num período em que “não havia globalização”.

Esse “mistério”, porém, não será elucidado pelo programa, que se limita a apresentar uma cronologia dos acontecimentos, com muitas cenas e músicas da época, entremeada por comentários de protagonistas e testemunhas dos eventos.

Esse almanaque visual aproxima o telespectador da atmosfera do período. É instrutivo observar que uma crise política que paralisou a França e provocou a dissolução do Assembléia Nacional começou com a prosaica reivindicação de que as alunas da Universidade de Nanterre pudessem freqüentar os alojamentos dos alunos.

É visível o esforço dos realizadores para abarcar um grande número de informações sobre a época, o que confere ao filme um andamento bastante truncado tanto na parte visual como na musical. Contudo, a tentativa de reunir o máximo de dados sobre um período não basta para esclarecê-lo, pois a mera simultaneidade entre dois eventos não significa que eles estejam conectados. Que relação existe entre o assassinato de Martin Luther King e a Primavera de Praga? Ou entre a vitória de De Gaulle nas eleições e a greve na Cobrasma, em Osasco? O programa termina assim com a singela conclusão de que “1968 foi mágico”.

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