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Empresas faturam 130% mais em Bocaina

Da Redação
| Tempo de leitura: 3 min

Bocaina - De meros produtores de luvas a empresários do setor de Equipamentos de Proteção Individual (EPI). Esse foi o caminho percorrido por oito fabricantes da cidade de Bocaina (69 quilômetros de Bauru) por meio do projeto do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae-SP), Comércio Brasil.

Os trabalhos com as indústrias de Bocaina se iniciaram em 2006, como projeto piloto, e surpreendeu os empresários: a média de crescimento de faturamento foi de 130%.

Bocaina conta com 130 indústrias de EPI, com um índice de formalização de 80%. Juntas, as fábricas produzem 1 milhão de pares de luvas por mês e geram mais 2.500 empregos diretos e indiretos.

Para Cintia Fernandes, analista do Sebrae-SP, e responsável pelo atendimento da cidade de Bocaina por meio do Escritório Regional em Bauru, o principal benefício do projeto está na postura dos empresários.

O trabalho do Sebrae-SP com os produtores começou antes da implantação do projeto, por meio do Escritório Regional em Bauru, que promovia ações pontuais, como palestras e cursos. Os produtores estavam com sérios problemas de estoques cheios e dificuldades de vendas.

“O Comércio Brasil, inicialmente, tinha como objetivo abrir canais de comercialização, mas percebemos que as empresas não estavam estruturadas para isso, por exemplo, não tinham controle de lucro e de produtividade”, conta Maria Eugênia Ruiz Borba, analista de mercado e responsável pelo setor de calçado e couro do Sebrae-SP. Por isso, o projeto foi reestruturado para atender as necessidades específicas de cada produtor de EPI.

“Nós mudamos a cultura das indústrias, que passaram a se preocupar com as necessidades de mercado para direcionar suas produções, porque é o mercado que define os objetivos dos empresários e isso serve de exemplo para qualquer MPE”, destacou a gerente da Unidade de Acesso a Mercados do Sebrae-SP, Lílian Fusco Rodrigues.

Controle

Os produtores de EPI passaram a ter um controle da produção, dos gastos e lucros, com planilhas especiais, garantindo o bom gerenciamento das empresas.

Além disso, os empresários implantaram ações para consolidar a identidade da empresa: criação de logo, slogan, site, uniformização dos funcionários. Os empresários também passaram a ter uma relação mais estreita com os clientes, o que melhorou também a condição de vendas.

Resultado: além de aumento no faturamento das empresas, houve também o aumento no preço médio dos produtos, diversificação da produção e dos mercados, aumento da qualidade da produção e de espaço físico das empresas, crescimento das contratações de mão-de-obra, aumento do valor agregado dos produtos.

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Números expressivos

O Sebrae-SP promoveu uma média de 24 ações por empresa, o que gerou um crescimento anual médio de 30%. No acumulado do período de atuação do Sebrae-SP (desde 2006), as empresas cresceram em média 130%. A mão-de-obra contratada aumentou em 52%, também acompanhada pelo aumento de 107% na área construída.

O prefeito da cidade, Francisco Danieletto, afirma que o trabalho do Sebrae é uma segurança. “É uma geração de empregos sólida, porque as empresas têm uma gestão forte.”

Renato de Melo Rodrigues, presidente do Sindacouros, também destacou a qualidade do trabalho do Sebrae-SP. “O Comércio Brasil foi um projeto audacioso, porque qualificou parte dos nossos associados”, diz. Para participar do projeto, os empresários precisavam estar sindicalizados.

Novas perspectivas

O encerramento do Comércio Brasil o trabalho do Sebrae-SP em Bocaina não significa o fim do projeto. Além do acompanhamento cotidiano por meio do Escritório Regional em Bauru, uma parceria com a Financiadora de Estudos e Projetos e a Universidade Federal de São Carlos vai trabalhar alternativas para diminuir os impactos ambientais dos resíduos de couro das empresas de EPI. O compromisso foi firmado com a assinatura de convênio.

Hoje, a cidade de Bocaina é responsável pela produção de 40 toneladas de resíduos de couro por dia, um dos maiores índices do Brasil. O material, que é altamente poluente por conter metais pesados, vai para aterros nas cidades de Paulínia e Guatapará. As previsões mostram que a cidade de Paulínia suporta o descarte de resíduos de couro por mais quatro anos, apenas.

A partir de agora, os 16 empresários vão se reunir com os técnicos da UFSCar para traçar e alinhar as estratégias de ação para cada produtor.

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