Política

Motoristas e cobradores aceitam acordo e evitam greve

Nélson Gonçalves
| Tempo de leitura: 2 min

Com baixa participação da categoria (apenas 150 votaram entre mais de 800 profissionais), motoristas e cobradores aceitaram, ontem à noite, a proposta de acordo negociada entre o Sindicato dos Condutores (Sindtran) e da associação das concessionárias (Transurb). O resultado, com 111 votos a favor do acordo e 39 pela manutenção da greve, põe fim à discussão sobre o risco de paralisação da atividade, cuja deflagração havia sido aprovada na semana passada, e confirma a negociação em torno de cláusulas econômicas discutidas desde o final de março passado entre as partes.

Pesou na decisão da categoria pelo acordo, ao invés da greve, a garantia de recebimento de R$ 120,00, em parcela única, em setembro deste ano, relativo a Participação nos Lucros e Resultados (PLR). Os representantes do sindicato reforçaram na assembléia de ontem que a inclusão do PLR só era possível sem levar a pendência para o Judiciário, em dissídio coletivo.

A estratégia do sindicato foi o de lembrar à categoria que é melhor manter o PLR agora do que perde-lo em litígio judicial. O mesmo ponto de vista foi argumento da Procuradoria do Trabalho. O procurador Marcus Vinícius Gonçalves ponderou que, além dos prejuízos à população pela paralisação de serviço essencial, de transporte coletivo, levar a questão dissídio coletivo era “risco de perder um avanço histórico, que é a inclusão do PLR no acordo, situação que vale para a pauta do próximo ano”.

Com a aprovação do acordo, os motoristas terão seus salários registrados em carteira elevados dos atuais R$ 956,00 para R$ 1.030,00, incluído neste valor a reposição da inflação do período (5,9%) mais ganho real de 0,06 pontos percentuais. O ganho econômico final foi calculado em 12,74% para motoristas, com a incidência do aumento no tíquete, de R$ 100,00 para R$ 150,00, e do pagamento do PLR em parcela única, em setembro.

Os cobradores, pelo mesmo raciocínio, terão ganhos de 16,23%, somados os mesmos indicadores acima e a reposição sobre o salário de R$ 621,16, que o leva a R$ 722,00.

A Procuradoria do Trabalho compareceu à assembléia de ontem à tarde para ponderar pelos prós e contras da negociação, reforçando para os avanços em torno do acordo e ainda o risco da paralisação não perdurar em função da discussão sobre a necessidade de manutenção de patamares razoáveis de ônibus rodando mesmo com o movimento paredista nas ruas.

Para a diretoria do Sindtran, “agora era a hora de esperar, para não perder o PLR e os avanços conquistados e continuar a lutar por outras melhorias até o próximo ano”. Questões como condições de trabalho (banheiro, água potável, aquecimento das pernas provocado pelo funcionamento do motor dos veículos) e o retorno ou não dos cobradores agora serão objetos de outra discussão, através de procedimento já instalado na Procuradoria do Trabalho.

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