Bairros

Segurança: ciclista deve evitar avenidas e horários de pico

Lígia Ligabue
| Tempo de leitura: 5 min

Andar de bicicleta em Bauru está cada vez mais difícil. Os ciclistas, tanto os que utilizam as “magrelas” para trabalhar, quanto os que pedalam por lazer ou para entrar em forma, disputam espaços com cerca de 170 mil carros, motocicletas e caminhões na cidade. Porém, o próprio ciclista se coloca em risco. Ontem, o Jornal da Cidade flagrou pessoas andando de bicicleta na contramão, sem equipamentos de segurança, com dois passageiros e transitando no contra fluxo em rodovias. De acordo com a Polícia Militar (PM), de janeiro a abril deste ano, foram registrados 53 acidentes envolvendo ciclistas, um deles fatal.

No último sábado, a ciclista Eveline Rose Silvestre, 57 anos, foi atropelada quando trafegava pela quadra 18 da avenida Nações Unidas, na altura do viaduto da avenida Duque de Caxias. Ela desviava de um veículo estacionado irregularmente e o motorista que seguia atrás não conseguiu evitar o choque. Silvestre foi socorrida pela equipe de resgate do Corpo de Bombeiro, levada ao Pronto-Socorro Central (PSC) e, em seguida, encaminhada ao Hospital de Base. Até o fechamento desta edição, Silvestre permanecia internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do hospital e seu estado era considerado grave.

A avenida Nações Unidas é um dos locais que os ciclistas têm evitado. A Duque de Caxias e a Rodrigues Alves, também. Para eles, fugir das vias de trânsito rápido é uma das alternativas encontradas para continuar a pedalar por Bauru. O ciclista e proprietário de uma loja especializada no veículo Edenilson Rogério Veríssimo avalia que o trânsito de Bauru está complicado para quem pedala.

“Há alguns anos, o fluxo era menos intenso. Agora, o motorista acha que o ciclista deve andar pela calçada, para não atrapalhar”, critica. Para se adaptar ao trânsito, Veríssimo revela que não trafega por avenidas. “Do Jardim Redentor ao Centro, por exemplo, eu vou por dentro dos bairros. Assim, evito as vias de trânsito rápido”, observa.

Apesar de ter que redobrar a atenção, Veríssimo avalia que a bicicleta ainda é um dos melhores meios de locomoção para a cidade. “Ainda é viável para Bauru, além de ser saudável e ecologicamente correta”, destaca. O empresário ainda é um entusiasta dos passeios de bicicleta pela cidade. Ele e outros ciclistas, todas as quartas-feiras, há 17 anos, fazem passeios noturnos. “Quem quiser participar, basta ter os equipamentos de segurança”, conta.

Segurança

O designer gráfico Aparecido Antônio José Pereira conta que pelo menos uma vez por semana pedala até o trabalho. O percurso de seis quilômetros do Jardim Solange, onde mora, ao Higienópolis, onde trabalha, é feito em 20 minutos. Porém, ele revela que, se não fosse a falta de segurança, dispensaria sua motocicleta e iria trabalhar de bike mais vezes.

“O problema é voltar à noite. O motorista não respeita, praticamente ignora o ciclista. Ando de capacete, farol, pisca, mas eles não consideram as bicicletas veículos”, avalia. Pereira concorda que avenidas devem ser evitados por ciclistas em Bauru. “Aliás, na Duque de Caxias eu não passo nem de moto”, garante. Já o grafiteiro Akila oliveira Camargo dos Santos, 18 anos, prefere evitar o Centro. “Eu prefiro pedalar pelos bairros. O Centro é muito movimentado, nem motos são respeitadas”, conta. O jovem revela que já foi atingido por um carro. “Machuquei muito, mas continuo pedalando”, conta.

• Serviço

Os passeios noturnos de bike são realizados às quartas-feiras, com partida da avenida Comendador José da Silva Martha, 1-32 e têm 1h30 de duração. Informações pelo telefone (14) 3227-9669.

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Ciclista tem responsabilidade

O Código de Trânsito Brasileiro (CTB) estipula que as bicicletas são veículos de propulsão humana e devem ter equipamentos básicos de segurança, como campainha, sinalização noturna dianteira, traseira, lateral e nos pedais, e espelho retrovisor do lado esquerdo. Porém, muitos não seguem estas normas de segurança e circulam sem os equipamentos. Além disso, mesmo em locais onde existem ciclovias, tem gente que se arrisca e pedala bem ao lado da pista exclusiva.

Para o comandante da 1.ª Companhia da Polícia Militar, capitão João da Costa Duarte, os ciclistas devem estar conscientes das suas responsabilidades. De janeiro a abril do ano passado, ele informa que foram registrados 44 acidentes envolvendo ciclistas, com dois mortos e cinco gravemente feridos. Já neste ano, o número de acidentes subiu para 53 no mesmo período, mas apenas um com vítima fatal e um ferido gravemente. “Os ciclistas não costumam obedecer normas, principalmente a mão de direção e os equipamentos de segurança”, pondera.

Bauru possui duas ciclovias, uma na avenida Edmundo Carrijo Coube e a outra ligando o Núcleo Octávio Rasi ao Distrito Industrial 1. A reportagem do Jornal da Cidade ficou alguns minutos nos dois endereços e flagrou ciclistas se arriscando sem necessidade.

Na avenida Edmundo Carrijo Coube, Eulália Benedetti Salvador caminhava acompanhando a sua filha Milena, 7 anos, que pedalava pela ciclovia. Enquanto isso, quatro ciclistas passaram pela avenida, bem ao lado da pista exclusiva. Para ela, que mora no Núcleo José Regino, a ciclovia é uma boa opção de lazer. “Venho caminhar todos os dias e, algumas vezes, a minha filha me acompanha. No meu bairro, não tem lugar para ela andar. Aqui, a pé, é mais seguro”, revela.

Já o universitário Chao Ho Chih, 19 anos, utiliza a pista para chegar à Universidade Estadual Paulista (Unesp). “Eu moro no Geisel e vou e volto todos os dias. Aqui é muito seguro e chego em casa em cinco minutos”, conta. Já a ciclovia do Octávio Rasi é bem diferente. Bem ao lado do acesso da avenida Rodrigues Alves à rodovia Bauru-Jaú, ela está esburacada e mal conservada. Mesmo assim, não é desculpa para os nove ciclistas flagrados pedalando fora da pista exclusiva. Um deles, pedalava na contramão.

Mesmo não contando com uma ciclovia, a avenida Getúlio Vargas é lugar certo para quem deseja pedalar. O analista de sistemas José Ricardo Quaioti três vezes por semana anda de bicicleta pela avenida. Um dos únicos a utilizar capacete pelo local ontem à tarde, ele acredita que ainda dá para pedalar pela cidade. “É um pouco complicado em alguns lugares, mas ainda dá para andar”, avalia. Para ele, Bauru carece de mais ciclovias.

O pedreiro Antônio Vilalba não estava na via por lazer. Ele tinha acabado de sair do trabalho, no Jardim América, e seguia até a Pousada da Esperança. Um trajeto que leva mais de uma hora para percorrer. Para ele, a bicicleta ajuda a economizar com transporte. “E os motoristas até que respeitam a gente”, pondera.

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