Pesca & Lazer

História de pescador: Palavras Cruzadas


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Nas centenas de pescaria que já fizemos no querido rio Taquari, em Coxim (MS), um fato nos marcou muito. Até hoje, quando nas viagens que fazemos para lá, lembramos e rimos muito do acontecido.

Nesse dia voltávamos para Bauru, depois de uma ótima pescaria, pois havia na caixa de isopor muitas piaparas, pacus e piraputangas, e resolvemos vir embora sem lacrar as caixas de peixes.

A comitiva só tinha aposentados: eu, o Polido, o finado Darci e uma só autoridade, o tenente Spiri, que foi quem nos bancou para não lacrar as caixas.

Numa vistoria de rotina em São Gabriel do Oeste (MS), a polícia nos parou: Rodoviária e Florestal juntas na vistoria, daí... conversa para lá, conversa para cá, solicitaram os documentos. Então, vieram as perguntas: o que estão levando, está na medida... Tudo ok com a florestal, mas o policial rodoviário ficou procurando algo para nos autuar. Foi quando lhe falei: “- Tudo bem, seu guarda, podemos ir?”. E ele me respondeu: “- Tudo bem nada! Estou irritado! Há uma semana não consigo terminar minhas palavras cruzadas, emperrei numa resposta e não consigo resolvê-la”.

Então lhe falei: “- Posso ajudá-lo! Também gosto de palavras cruzadas”. Vi que faltava apenas uma resposta para a pergunta. ‘Mentiroso com 8 letras.’

Pensei um pouco e falei: “- Seu guarda, tenta aí colocar pescador (8 letras)”. E ele, todo contente, falou: “- Vão com Deus. Boa viagem e quando passar por aqui pare para tomar uma água e um cafezinho”.

(Homenagem ao amigo Darci Figueiredo, que hoje pesca num lugar bem melhor que este)

José Carlos Heiras é pescador e contador de histórias.

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