Tribuna do Leitor

Disciplina... Vamos tomar providências?


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O JC estampou recentemente o arsenal bélico que os alunos estão munidos para enfrentarem os professores, escolas e... alunos inimigos. A guerra ainda não foi declarada (???). Sem mais delongas, estatutos, bate-papos, afagos, baixar de calças e outras coisas, lembro que o poeta fluminense Eduardo Alves da Costa, escreveu nos anos 60, o poema “No caminho com Maiakóvski”, portanto o poema é do brasileiro e não do russo Wladimir Maiakóvski (1893-1930).

O poeta vai nos ensinar algo sobre a disciplina, atentem para a poesia, é muito sério!

“(...)

Na primeira noite eles se aproximam

E roubam uma flor

Do nosso jardim.

E não dizemos nada.

Na segunda noite,

Já não se escondem;

Pisam as flores,

Matam nosso cão,

E não dizemos nada.

Até que um dia

O mais frágil deles

Entra sozinho em nossa casa

Rouba-nos a luz, e,

Conhecendo nosso medo,

Arranca-nos a voz da garganta.

E porque não dissemos nada,

Já não podemos dizer nada.”

Realmente, nada mais há a comentar.

O que vamos comentar: Marreta? Garrucha? Picareta? Soco inglês? Cadeira nas costas? Superbonder na cadeira? Polícia na porta? Estilete? Faca? Agressão de aluno ao professor? Paredes arrebentadas? Modess no teto? Depredações? Pichações? Não sei! Culpados: Alunos? Professores? Orientador pedagógico? Psicólogos? Diretores? Pais que não souberam colocar rédeas nos filhos? Filhos mimados e sem nenhum compromisso ou comprometimento? Não sei!

Eduardo Alves da Costa disse-nos tudo: Disciplina é isso! Ou se define no primeiro instante, com clareza e segurança, consenso e firmeza, ou então nada depois pode ser feito. Se considerarmos que o gesto de indisciplina que se finge não perceber é a primeira flor colhida e não dizemos nada, depois fica tudo mais difícil... Meus amigos: para detonar a escola é um passo!

Por favor não esqueçam a poesia, a profundidade sutil dessa mensagem, ela não pode ser esquecida. Tomei a liberdade e o espaço desta coluna uma versão 2008. Não é das melhores, mas é o que eu tinha, mas, como não quero enfrentar uma marreta ou uma garrucha, aqui vai:

Na primeira semana,

Eles chegam de mansinho,

Não todos, claro!

Bonitinho e agradáveis

E observamos

Alguns chegam para

Estudar mesmo!

Outros sem comprometimento e educação!

Logo, sabemos quem são!

Na segunda semana,

“Aqueles” já não são amigos de todos,

“Tios e tias” ficou moderninho chamar a todos:

Do diretor ao auxiliar de limpeza...

E aí detonam banheiros.

Nós dizemos: “Coitadinhos, os pais não deram educação!”

Outros dizem: “A escola precisa fazer a sua parte”

Até que ao final de mês,

O mais “coitadinho” coloca o dedo na sua cara e diz:

“Você é um ignorante”, ou, “Estou pagando”,

Rouba-nos a paz, a consciência e a tranqüilidade,

Ficamos com medo!

Não falamos nada na primeira semana,

Não determinamos nada na segunda semana,

Ao final do mês já não podemos dizer nada!

... Aí estamos acuados, sem muito o que dizer! E aí ouvimos: “Qual é, gente boa!”... É o fim!

Paulo Neves - MTB 10253 - D’Incao Instituto de Ensino

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