Tribuna do Leitor

A gaiola "legalizada"


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Não se pode confundir causa e conseqüência. De acordo com a carta enviada ao JC pelo sr. Júnior Louzada, no dia 5 deste junho, denunciando o fato de que um curió foi sacudido, estando ele numa gaiola, num capítulo da novela da TV, percebe-se que o motivo principal, o de que o pássaro estava preso, é que deveria ser objeto de condenação. O problema está na gaiola e na falta de liberdade do pássaro. Passarinheiros e comerciantes, que ganham muito dinheiro com aves, com venda de pássaros raros e torneios de canto, não nos convencem dizendo que “gostam” dos bichos, que querem impedir seu extermínio.

Fico feliz em saber que as Ongs de proteção animal metem o pau nos passarinheiros e que condenam o fato de que esses seres alados nunca voarão. E quando o animal é tirado da Natureza? Põe crueldade nisso, ele fica se debatendo em reduzidas gaiolas, desesperado. E o pior, se um curió livre vive 8 anos, é pra ele viver 8 anos, isso é o natural e o lógico, muito melhor do que viver longos 30 anos sozinho, preso sem voar, sem criar filhotes, muitas vezes treinado exaustivamente, ou preso apenas para deleite dos criadores.

Essa situação é também “legalizada”, basta ver a situação das aves vendidas no comércio local, amontoadas, sem higiene e sem espaço. Os maus tratos para com os bichos estão aí porque há muitos interesses envolvidos, além da indiferença, da ignorância, da falta de compaixão e bom senso. E mudar isso envolve mudanças nos perniciosos modelos governamentais e sociais, de vida e de consumo, uma utopia cada vez mais impossível de se conseguir.

Rosyete Suely da Rocha

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