A construção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Candeia, localizada ao lado do Núcleo Gasparini, está a todo vapor. Ontem, começou a concretagem da base do reator anaeróbico do sistema que vai transformar o esgoto em água com alto grau de pureza para devolver aos rios. Com o atual ritmo de trabalho, o Departamento de Água e Esgoto (DAE) dá como certa a inauguração da ETE em novembro, como o previsto. Ou seja, dentro de cinco meses Bauru começa, finalmente, a tratar o esgoto que produz.
“Agora, em seguida, começará a concretagem das laterais do reator. Depois, serão colocados os equipamentos para dar início à pré-operação. Será, ainda, construído um pequeno laboratório onde serão feitas as análises da qualidade da água ao final do tratamento”, conta o presidente do DAE, José Mauro Carneiro da Cunha. A ETE Candeia está orçada em R$ 2 milhões e terá capacidade para tratar 60 litros de esgoto por segundo, devendo atender 30 mil moradores de bairros da zona norte como Pousada da Esperança 1 e 2, Vila São Paulo e do próprio Núcleo Gasparini.
Cunha lembra que os interceptores, que canalizam o esgoto da região para a ETE, já estão implantados. “Falta apenas uma interligação até a ETE, de alguns metros, que será feita em um ou dois dias”, frisa. Apesar de ser considerada pequena, a ETE é uma obra grande. Para se ter uma idéia, apenas para concretagem da base do reator foram empregadas cerca de 18 betoneiras grandes de concreto.
Quando a ETE Candeia entrar em operação, o DAE voltará sua atenção para a ETE Vargem Limpa outra vez. Trata-se de um complexo para tratar o esgoto do resto da cidade. A licitação para a obra, orçada em R$ 96 milhões, foi cancelada e outra deverá ser aberta em breve. “Nós já recebemos o projeto básico e logo logo vamos abrir nova licitação”, ressalta Cunha, lembrando que participarão da concorrência as empresas pré-selecionados na licitação anterior.
O primeiro módulo da ETE Vargem Limpa deve ficar pronto em um ano após o início das obras e vai tratar o esgoto de 150 mil habitantes de Bauru. Ainda tendo como ponto de partida o início das obras, serão necessários três anos para ativar o segundo módulo e cinco para concluir a terceira etapa da estação.
No processo de tratamento na ETE Candeia serão utilizados reator anaeróbio seguido de filtro aerado, uma versão “compacta” do que será executado na futura ETE Vargem Limpa, que vai tratar todos os esgotos hoje lançados no rio Bauru. Trata-se de um sistema de pré-tratamento do esgoto para remoção da parte sólida e emprego do sistema biológico, seguido de decantadores secundários.
A construção das ETEs só está sendo possível graças ao chamado Fundo de Tratamento de Esgoto (FTE). Desde 2006, o DAE está recolhendo recursos antecipados para suportar o pagamento das duas obras, a partir da cobrança de uma taxa de 40% sobre o valor da tarifa de esgoto que cada consumidor bauruense paga. Atualmente, o fundo possui caixa de aproximadamente R$ 17 milhões, que também são empregados nas obras de instalação de interceptores de esgoto e estações elevatórias, a fim de mudar o curso do esgoto antes lançado na bacia de drenagem do rio Batalha.