Brasília - O presidente Lula disse ontem, em evento para lançar o Plano de Safra Mais de Alimentos, que não há motivo para perder o sono com a inflação. “Não há motivo para se perder nem meia hora de sono. O que nós precisamos é estar atentos para que a inflação não fuja do controle.”
Lula disse que ainda não entendeu o que aconteceu no mundo em relação à crise de alimentos. Por isso, pediu ao ministro da Fazenda, Guido Mantega, que montasse uma equipe para estudar o problema que tomou conta do mundo.
O presidente considera como possíveis fatores que desencadearam a crise a seca e as enchentes ao redor do mundo. Sobre a culpa ser da China, cujo crescimento aumentou o poder de compra da população, ele disse que isso é apenas uma “meia verdade”, mas que existe muita especulação sobre isso.
Apesar de admitir preocupação, Lula afirmou que já encontrou uma forma de combatê-la. “Nós temos que dizer ao mundo que a inflação de alimentos será combatida produzindo mais (alimentos).” “Nós queremos aumentar a produção de alimentos porque a China, Índia e outros países vão comer mais. Aqui no Brasil, o povo pobre está comendo mais e como isso está acontecendo, nós vamos ter que aumentar a produção de alimentos”, disse Lula.
O presidente afirmou ainda que espera que a Venezuela possa ser auto-suficiente na produção de sementes em quatro anos. O Brasil recentemente abriu um escritório da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) na Venezuela - além deste, o país tem outro em Gana.
Sobre os biocombustíveis, o presidente disse que não aceita críticas externas cujas fontes de energia não são renováveis. “Eu não aceito que os dedos sujos de óleo e carvão apontem para o biocombustível limpo do Brasil.”
Também ontem, o presidente Lula criticou a postura de países que defendem a internacionalização da Amazônia. Ele disse que este é um assunto do Brasil e que os Estados Unidos não gostariam que outras nações sugerissem que a Nasa (agência espacial americana) deixasse de pertencer àquele país.