Brasília - O Tribunal Superior do Trabalho (TST) determinou ontem que a partir de segunda-feira a Federação Nacional dos Trabalhadores em Empresas de Correios e Telégrafos (Fentect), que organizou a greve nos Correios, terá que manter o mínimo de 50% de trabalhadores nas unidades da empresa.
Na segunda-feira, quando a paralisação completa uma semana, representantes dos Correios e lideranças dos grevistas se reúnem no TST para tratar das divergências.
Por um lado, os Correios alegam que o movimento é abusivo porque a empresa tem cumprido o acordo que estabelece o pagamento de bônus. Esse pagamento passou a ser feito a partir de junho no valor de R$ 260,00.
De outra parte, os grevistas contestam porque reivindicam que o pagamento do adicional não deve ser de R$ 260,00, mas com base em 30% do valor dos salários.
Ontem, segundo a Fentect, a adesão estava em 70% entre os 53 mil carteiros e em 70% entre os 12 mil operadores. Na avaliação dos Correios, a adesão foi de 36% entre os carteiros.
Cobrança de Lula
A greve dos Correios colocou o ministro das Comunicações, Hélio Costa, e o presidente da empresa, Carlos Henrique Custódio, em uma situação constrangedora ontem(4). Ambos foram cobrados pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Costa e Custódio estavam no Palácio do Planalto, participando da cerimônia do lançamento de um programa de venda de computadores portáteis a professores, no qual os Correios participam como parceiro. Em seu discurso, Costa disse que a empresa estava empenhada no programa. “Será que ele (Costa) não sabe que os Correios estão em greve?”, perguntou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva à ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, que estava ao seu lado, segundo relato de fotógrafos que estavam próximos. Dilma apenas pôs a mão na cabeça. Quando, após o discurso, Hélio Costa voltou a se sentar, Lula fez a pergunta direta para o ministro: “Você não sabia que os Correios estão em greve?” O ministro apontou para o presidente dos Correios, que estava na platéia, e respondeu: “É com ele, presidente.” Lula, então, abriu os braços e perguntou para Custódio: “E aí?” Constrangido, Custódio não respondeu.
A cobrança não chegou a ser pública. As conversas só foram ouvidas por quem estava mais próximo do presidente.
Mais tarde, questionado sobre a cobrança de Lula, Costa minimizou o fato, afirmando tratar-se apenas de uma brincadeira. Ele disse também esperar que a greve seja encerrada na terça-feira, pois na segunda-feira haverá uma audiência de conciliação no Tribunal Superior do Trabalho (TST).