Ao contrário do que muitos usuários acreditam, fumar narguile não é menos perigoso do que fumar cigarro. A afirmação, do médico pneumologista Sebastião Antônio Benetti, contradiz uma crença que está se alastrando com a mesma rapidez com que se difunde o hábito de fumar o cachimbo árabe.
Tanto adeptos quanto vendedores do aparelho defendem que a água contida dentro do narguile, por onde a fumaça passa, acaba por reter a nicotina antes que ela chegue à boca do indivíduo. “Claro que a nicotina não é filtrada pela água. Se fosse assim, seria uma beleza! Resolveríamos o problema do tabagismo no mundo”, ironiza o pneumologista.
Ele enfatiza que o narguile é tão cancerígeno quanto o cigarro. “O efeito que a nicotina causa no sistema nervoso central é o mesmo. E, no caso do narguile, há ainda outros fatores preocupantes, porque no fumo há substâncias aromatizantes cujas conseqüencias para o organismo ainda não foram muito bem estudadas”, alerta Benetti.
Ele lembra que a nicotina é a única substância do tabaco que causa dependência. Mesmo quem não traga o narguile não está imune aos malefícios dessa substância. “Mesmo sem tragar, parte da fumaça sempre acaba chegando até o pulmão, porque a pessoa está respirando enquanto fuma. O prejuízo pode ser menor, mas essa pessoa também pode prejudicar o organismo”, aponta Benetti. O médico avisa que nem mesmo as piteiras com filtros, que são encontradas nas lojas do ramo, são capazes de filtrar a nicotina com eficácia.
E, por se tratar de um cachimbo, ele explica que as chances de o usuário desenvolver câncer de boca é muito maior do que os fumantes de cigarro. “A pessoa fica com aquela piteira na boca, que está toda contaminada com substâncias cancerígenas. É mais ou menos o que ocorre com o cachimbo comum que, comprovadamente, é mais prejudicial à saúde da boca”, diz.
Além de cancêr bucal, Benetti afirma que o uso indiscriminado do narguile pode levar a problemas no trato respiratório, como a asma, até câncer na língua, laringe e pulmão.
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Negócio da China
Proprietário de uma das lojas do piso superior do Bauru Shopping, Marcos Rodrigues Ferraz Filho conta que o narguile começou a se transformar em um negócio lucrativo há cerca de um ano. “Foi quando percebemos que começou uma grande procura, principalmente entre jovens sem nenhuma ascendência árabe”.
Atualmente, ele comercializa narguiles importados de países tão distintos como Emirados Árabes, Egito e China. “Como acontece com a maioria dos produtos, os chineses também estão copiando os narguiles. E o modelo chinês, por ser mais em conta, é o mais vendido”, pondera.
Em sua loja, o aparelho mais barato custa R$ 99,00, mas pode chegar a até R$ 450,00, de acordo com a origem e o tamanho. “Esses são os modelos importados do Oriente Médio, que são artesanais, mais elaborados e bem acabados. Já os narguiles chineses são totalmente industrializados”, analisa Ferraz Filho.
Ele avisa que, além dos aparelhos, a loja também disponibiliza um sem número de acessórios, que ultrapassam a imaginação daqueles que se restringem ao kit básico para o bom funcionamento do narguile (fumo, papel alumínio e carvão mineral). As opções são desde maletas de transporte confeccionadas com os mais diferentes tipos de materiais e piteiras incrementadas, até limpadores especiais para as mangueiras.