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Menino de rua: o problema nosso de cada dia


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Aparência desafiadora, o menino desamparado, tornou-se abusado. Levou um tiro... Não foi no coração, foi só de raspão... Mas no coração, o menino já havia sofrido toda a provação. Desta sociedade que cobra, e nada oferece. Da gente que passa, fingindo que não vê a desgraça que graça. E o desamparo esgarça a alma do “ser”. Do “pivete” que assalta... Assalta a fome que o mata.

A fome que o maltrata... Até obrigá-lo a sentir o amargo sabor da derrota. Não é somente fome de pão... É a fome de apoio de braços. Da ternura dos laços. Do calor dos abraços, que ele implora para ocupar seus espaços. Neste mundo tão cheio de gente. Gente que passa e aparenta ignorar o que vê, dissimulando que não sente a presença do menino carente, a clamar uma atenção sempre ausente.

A esmolar um afago da gente, que o faça ser gente, libertando-se da vida plangente, quando se sente amparado e começa a confiar, sorrir e desenvolver, vindo um legionário ser, pra viver, conviver e aprender uma profissão útil e digna, que o incentiva há partilhar o muito que tem a doar, que só é possível para aqueles que foram assistidos e doutrinados para abrir as portas e janelas dos seus corações, conservando o sabor da jovialidade nessa caminhada que edifica a esperança, construindo a cidadania, oferecendo aos adolescentes o milagre da renovação, através do trabalho educativo.

O autor, Antônio Carlos Martins, é presidente da Legião Mirim de Bauru, que está completando 48 anos

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