A União Africana propôs a formação de um governo de coalizão no Zimbábue para acabar com a crise política pela qual passa o país. O estopim para a tensão entre governo e oposição foi a declaração do líder Tzvangirai, que decidiu desistir das eleições para a escolha do novo presidente do Zimbábue.
Robert Mugabe, que governa o país há 28 anos, foi o único candidato presente nas cédulas eleitorais e foi considerado vitorioso no último domingo. As denúncias de fraudes durante o processo provocaram a reação da comunidade internacional que passou a pressionar autoridades políticas do Zimbábue para a busca de uma solução para o conflito.
A solução encontrada pela União Africana foi formar um governo de coalizão, em que a Tzvangirai e Robert Mugabe dividiriam o poder. A proposta parece não levar em consideração a péssima experiência vivenciada no Oriente Médio. Na Palestina, não vingou a tentativa de um governo de coalizão formado pelo Hamas e o Fatah, e hoje a região ainda enfrenta embates políticos violentos em razão da não-aceitação do Hamas pelas potências ocidentais. No Zimbábue, a crise é parecida. Não é possível acreditar que ainda há países que, de certa forma, consideram legítimo o governo de Mugabe. Aceitar um governo de coalizão no país é adotar uma postura de conivência com um ato antidemocrático. Essa não é a melhor saída para a solução do conflito.
Embora a experiência do Quênia se contraponha ao fracassado governo de coalizão na palestina, o caso queniano é isolado, pois na contagem de votos foi verificada uma aproximação apertada entre os dois principais candidatos à presidência do país. O conflito, em uma região conturbada formada por inúmeras tribos, era inevitável, e a formação de um governo de unidade nacional foi a melhor saída. No caso do Zimbábue, é evidente o massacre da democracia porque apenas um candidato concorreu às eleições e ainda fez uso da violência para conter a oposição. Será que a comunidade internacional ignora isso?
Buscar uma reconciliação clichê não vai pôr fim à violência no país. É preciso interferir pacificamente para resolver esse imbróglio político. Cruzar os braços é aceitar a situação e abrir espaço para que outros países sintam-se à vontade para fraudar eleições e para que ditadores se perpetuem no poder.
Aelton Aquino - estudante de jornalismo da Unesp