Bairros

Boa para saúde, bebida enriquece culinária

Wagner Carvalho
| Tempo de leitura: 3 min

Uma bebida de grande valor nutricional. Assim é o café, cuja xícara oferece ao consumidor diversos minerais, como potássio, ferro e sódio, além de vitaminas do complexo B, aminoácidos, lipídios e acido clorogênico. Tais qualidades mostram que o café pode ser um aliado da saúde das pessoas, mas desde que consumido com moderação.

Entre os benefícios proporcionados pelo café estão melhora da concentração, estimulação da memória e prevenção da depressão, enumera a nutricionista Patrícia Dainton Bernardes, responsável pelo programa “Alimente-se bem com 1 real”, mantido pelo Serviço Social da Indústria (Sesi). “O segredo está na moderação. Quando consumido em excesso, o café provoca o efeito inverso, como estresse e dificuldade de raciocínio”, aponta.

No caso do café como bebida, a recomendação para cada pessoa é de, em média, três xícaras do produto por pessoa. “Por ser uma bebida de alto valor nutricional é que se recomenda que as pessoas consumam pelo menos uma xícara de café logo de manhã. “A primeira refeição é muito importante, e deve ser complementada com frutas, pães ou produtos derivados do leite”, recomenda a nutricionista.

Além das pesquisas científicas, a nutricionista lembra que, de uns tempo cá, o café também tem sido utilizado não só para preparar diversas bebidas, mas também integrar diversos pratos que estão presentes na mesa dos brasileiros.

Por conta de seu aroma e sabor únicos, o café vem sendo incluído no preparo de mousses e sorvetes, além de bebidas quentes e frias. “No programa do Sesi, por exemplo, a gente ensina as pessoas a reutilizarem o café que sobra na garrafa para preparar deliciosas receitas”, explica Bernardes.

“A descoberta de novas formas de se apreciar o café fez com que o brasileiro aumentasse o prazer em saborear a bebida”, reforça Maurício Lima Verde, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e da Comissão Nacional do Café (CNC).

Hoje, segundo dados da Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic), cada brasileiro consome cerca de 74 litros da bebida por ano. Em quilos, seriam 4,42 quilos de café torrado ou 5,53 quilos de café em grão cru per capita.

Esses números indicam evolução de 3,5% em relação ao último levantamento feitos pela instituição. Os números comprovam que os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia. E não somente o café vendido em supermercados, mas outros tipos, que proporcionam, aos apreciadores, sabores e aromas inigualáveis.

Lima Verde lembra que em alguns lugares, como na Capital, o apreciador escolhe um café como se escolhesse um vinho. “Temos diversos locais, principalmente nas grandes cidades, onde o café pode custar de R$ 1,00 até cem vezes mais”, afirma.

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Ganhando mercado

A prova de que o brasileiro está apreciando cada vez mais um bom café está no levantamento realizado pela Associação Brasileira da Indústria do Café (Abic). De acordo com a instituição, o Brasil é um dos países onde o consumo interno mais cresce no mundo. Desde 2003, o mercado evoluiu 24,82%.

Essa constatação também foi apontada por Maurício Lima Verde, vice-presidente da Federação da Agricultura do Estado de São Paulo (Faesp) e da Comissão Nacional do Café (CNC). De acordo com ele, o consumo da bebida cresce, em média, 4% ao ano, há muito tempo.

Lima Verde afirma que o gosto pela bebida aumenta tanto que o mercado já se preocupa com a falta do produto no mundo. O Brasil não deve sofrer com esse problema, já que o consumo do brasileiro não chega nem à metade da sua produção anual, que é de cerca de 60 milhões de sacas.

Enquanto o café como bebida ganha mais espaço a cada ano, na lavoura os altos preços para sua produção e a dificuldade para se conseguir um boa colheita têm desestimulado o produtor a plantá-lo.

Os Estados de São e Paraná, que no passado dominavam a produção brasileira, migraram para outras culturas, como soja e cana-de-açúcar. Por essa razão, Lima Verde afirma que os produtores de café têm procurado terras produtivas em outros Estados, como Minas Gerais e no norte do País.

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