Internacional

Adiada decisão sobre programa nuclear

Folhapress
| Tempo de leitura: 2 min

Genebra - O encontro que reuniu ontem na Suíça os principais envolvidos nas discussões sobre o programa nuclear iraniano terminou sem avanços, contrariando a expectativa criada pela inédita presença dos Estados Unidos em conversas diretas com o Irã.

Segundo Javier Solana, chefe da política externa da União Européia e principal interlocutor das grandes potências nas discussões com Teerã, o Irã “não disse sim nem não” à última oferta de cooperação econômica em troca da suspensão de suas atividades nucleares.

“O encontro foi produtivo mas não obtivemos a resposta que esperávamos. Aguardamos uma decisão em breve”, disse Solana. Uma nova rodada de discussões deve ser realizada num prazo de duas semanas.

O governo iraniano insiste em que suas instalações nucleares servem apenas para a produção de energia e há cinco anos negocia com o Ocidente uma solução que lhe permita continuar enriquecendo urânio - o que pode fazer sob o Tratado de Não-Proliferação Nuclear, mas desde que em cooperação e sob a vigilância da Agência Internacional de Energia Atômica.

Os EUA dizem que o primeiro passo antes de negociar um eventual acordo deve ser a paralisação imediata do programa nuclear iraniano. Tensões nas últimas semanas despertaram temores de um ataque americano ou israelense contra o Irã.

Num gesto de abertura, entretanto, a Casa Branca enviou a Genebra o número três da diplomacia americana, William Burns, que se sentou ao lado de Solana. Oficialmente, Burns recebeu ordens de “apenas ouvir, não negociar”. Hoje, ele não se manifestou publicamente.

No intervalo da reunião para almoço, o representante americano não se sentou na mesma mesa que a delegação iraniana. Participaram do encontro, além de Burns, representantes dos outros quatro membros permanentes do Conselho de Segurança da ONU - Reino Unido, França, Rússia e China - mais a Alemanha.

Além da participação americana, a expectativa sobre a reunião de ontem havia sido reforçada por sinais de distensão entre Washington e Teerã, possivelmente motivada por interesses comuns no Iraque e no Afeganistão.

O Irã confirmou na última quinta-feira rumores sobre a possibilidade de abertura de um escritório de interesses comerciais dos EUA em Teerã e o restabelecimento de linhas aéreas entre os países.

Os EUA cortaram as relações com o Irã depois que islâmicos radicais mantiveram 52 reféns durante 444 dias em sua embaixada em Teerã, em 1979. Desde então, a Casa Branca impôs um embargo comercial total ao Irã e pressionou a ONU a também adotar três rodadas de punições econômicas.

Comentários

Comentários