Brasília - A menção aos nomes de alguns dos nomes de peso do PT nas investigações da Operação Satiagraha, da Polícia Federal, deverá ser tema de discussão da Executiva Nacional do PT, na primeira semana de agosto.
No total, cinco petistas tiveram os nomes citados nos relatórios da PF sobre as investigações - do ministro Tarso Genro (Justiça) ao chefe de gabinete do presidente da República, Gilberto Carvalho, o secretário-geral do PT, José Eduardo Cardozo, e dois ex-deputados federais Luiz Eduardo Greenhalgh (SP) e Sigmaringa Seixas (DF).
Interlocutores, que acompanham as discussões internas do PT, afirmam que desse grupo apenas Cardozo, Carvalho e Sigmaringa saíram sem seqüelas mais graves.
Para os petistas, os três apresentaram explicações rápidas e suficientes às suspeitas levantadas contra eles.
Racha
A atuação de Tarso durante a operação - que trabalha para ter o nome indicado pelo PT para a sucessão presidencial - dividiu a legenda.
Para alguns, ele passou a impressão de descontrole emocional ao atuar de maneira impositiva na operação.
Outros petistas afirmam que o ministro saiu ganhando, pois deixou para a população a demonstração de o defensor da Justiça.
O grupo de Tarso no PT a corrente denominada “Mensagem ao Partido” não tem maioria interna e representa a junção de dois outros grupos: “Democracia Socialista” e “”Novos Rumos”.
Neste episódio da Operação Satiagraha, a eventual adversária de Tarso na disputa pela indicação à sucessão, a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) submergiu, optando por não opinar nem aparecer em meio a tantos comentários sobre o caso.
Outro nome que também é apontado pelo PT como virtual candidato é o do ministro Fernando Haddad (Educação), já que ele tem a simpatia do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Suspeitas
As investigações da PF colocaram Tarso na linha de frente do debate sobre as ações policiais e alvo da crise com o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes.
O ministro da Justiça apoiou a PF, fazendo restrições apenas à exposição de imagens, enquanto Mendes fez uma série de críticas e tomou decisões polêmicas sobre a libertação de alguns dos investigados.
Gilberto Carvalho foi apontado como suspeito de vazamento de informações sigilosas, depois de conversar por telefone - cujo diálogo foi gravado e relatado na imprensa- com Greenhalgh. No diálogo, eles tratam sobre Humberto Braz - que é cliente do petista e assessor do banqueiro Daniel Dantas.
Carvalho negou ter vazado informações e divulgou nota à imprensa, informando sobre seu diálogo com Greenhalgh, o qual fez questão de tratar como “doutor” e com distância.
Mesmo sem mandato parlamentar, Greenhalgh integra a cúpula do Diretório Nacional do PT. Cardozo e Sigmaringa foram citados nas investigações porque teriam participado de um jantar, no qual Dantas esteve presente.
Para alguns, os dois pertenceriam à chamada bancada de Daniel Dantas no Congresso.
Cardozo também divulgou nota, não rechaçou as informações, e procurou os colegas de partido para dar explicações.