São Paulo está preparando um mapa genético, inédito no Brasil, de pacientes vítimas de infarto do miocárdio. O objetivo do projeto, coordenado pelo hospital estadual Dante Pazzanese, da Secretaria de Estado da Saúde, é verificar os genes que são ativados e as proteínas que o organismo de cada indivíduo sintetiza no momento do ataque.
Dez pacientes do sexo masculino com mais de 50 anos, que chegaram ao pronto-socorro do Dante com infarto, em 2007, tiveram sangue coletado enquanto médicos realizavam atendimento de emergência. O material foi enviado à Universidade da Catalunha, juntamente com o sangue de 10 pessoas saudáveis, para comparação.
Uma tecnologia chamada “Microarray” permite a geração de um painel eletrônico que mostra os genes ativados em cor verde, os inativados em vermelho e os não-testados em amarelo. O resultado é uma espécie de cartão com informações genéticas do paciente que teve infarto. O resultado das análises será encaminhado à Universidade de Michigan para avaliação estatística.
“Essas informações são extremamente importantes porque vão além da análise anatômica do coração e artérias das vítimas de infarto. Isso contribuirá para que, no futuro, o tratamento desses pacientes seja totalmente individualizado e as medicações sejam dadas conforme o perfil genético de cada pessoa”, afirma o cardiologista Marcelo Sampaio, responsável pelo laboratório de biologia molecular do Dante Pazzanese.
A conclusão do trabalho deverá ser divulgada no próximo ano. Cerca de R$ 300 mil estão sendo investidos pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) para a realização do estudo.