Tribuna do Leitor

“Mortos atormentam os vivos? Poltergeists existem?”


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No dia 22/7/2008, página 26, o caro missivista Jorge Alberto Correia Bettencourt Soares criticou a matéria jornalística publicada no dia 20/7, pags. 14/15, que tratou do tema supra. Entendeu que tais temas são explorados pela mídia, citando “o número de programas na TV a cabo que exploram esses temas”, dando a entender pelo uso da expressão “vendem” que tal se dá por interesse meramente econômico. Diz não ser contra, mas entende que há parcialidade da mídia em virtude de não se dar oportunidade para as descobertas científicas “sérias” que, “após 130 anos de pesquisas científicas sérias, nenhum fenômeno paranormal foi até hoje reconhecido e amplamente validado pela comunidade científica mundial”. Depois de relegar a nossa formação religiosa, desmereceu o amplo trabalho já realizado quando chamou de “explicações que os antigos davam a esses fenômenos à luz de parcos conhecimentos da sua época”. Chamou a atenção dos leitores para o fato de “não estarmos na Idade Média – estamos no início do século 21 – e a ciência evoluiu imensamente trazendo-nos uma nova visão e compreensão do paranormal que é bem diferente das narrativas folclóricas publicadas no JC”

Devo iniciar concordando com você, Jorge, pois na Idade Média as pessoas não podiam contar com esse tipo de abordagem sem perigo iminente de linchamento físico, moral e intelectual, em virtude de as grandes conquistas estarem por acontecer; principalmente em decorrência do esforço e coragem dos amantes da liberdade de expressão, símbolo maior das conquistas democráticas dos tempos atuais, tão bem representadas pelo JC que tem sabido muito bem dar, a todos os segmentos da sociedade, generosos espaços a exemplo do que encontramos nesta Tribuna Democrática.

Quanto à exploração pela TV a cabo, confesso que não conheço todas as programações, salvo as do canal 51, Discovery, da Net, que veicula “Assombrações” e “Investigadores Psíquicos”. Acho que quem não viu deve ver que os autores desses programas sabem valorizar, respeitar e compreender os acontecimentos que são oriundos das pessoas do seu povo.

Discordo também do que chamou de “As modernas pesquisas das neurociências nos trazem explicações alternativas para todos esses fenômenos...”. Isto porque qualquer um que se intitular pesquisador de tais fenômenos, mais comum do que se pensa, deve partir do pressuposto lógico (conhecimento a posteriori, segundo Kant) de que se algo pode existir, de fato, o objeto a ser pesquisado é de cunho especial e diferenciado por se tratar de manifestações inteligentes, individualizadas e o mais relevante: deve-se partir do pressuposto de que um ser inteligente que pesquise um outro também inteligente (objeto da pesquisa), poderá ser enganado, ludibriado ou não contar com o seu objeto à sua inteira disposição como sendo um mero robô. Deve entender, ainda, que reside nessas circunstâncias a grande diferenciação entre pesquisar objetos inanimados, irracionais, daqueles dotados de racionalidade, principalmente quando os objetos agem de forma invisível e em outra dimensão.

Finalmente, sugiro àqueles que se sentem livres para aprender algo mais sobre a questão posta, o conhecimento prévio da metodologia empregada pela Ciência Espírita e verá a sensatez do pesquisador Allan Kardec, em especial quando da leitura da “Introdução ao Estudo da Doutrina Espírita”, em O Livro dos Espíritos, item IV, com os mais variados questionamentos surgidos na mente do nobre codificador que, ao se ocupar com os fenômenos psíquicos, na França, em meado do século XIX, assim se posicionou: “Se os fenômenos que nos ocupam fossem limitados ao movimento dos objetos, teriam ficado, como o dissemos, no domínio das ciências físicas. Mas não foi assim: cabia-lhes nos colocar sobre o caminho de fatos de uma ordem estranha. Acreditou-se descobrir, não sabemos por qual iniciativa, que o impulso dado aos objetos não era somente o produto de uma força mecânica cega, mas que havia nesse movimento a intervenção de uma causa inteligente. Este caminho, uma vez aberto, era um campo todo novo de observações; era o véu levantado sobre muitos mistérios. Há nisso, com efeito, uma força inteligente? Tal é a questão. Se essa força existe, qual é ela, qual a sua natureza, a sua origem? Está acima da Humanidade? Tais são as outras questões que decorrem da primeira”.

José Quaglio - R.G. 8.390.044

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