Na maior Olimpíadas da história, um público em especial de Bauru estará de olhos atentos aos jogos. Olhos puxados na verdade. A comunidade chinesa que vive na cidade acompanhará as disputas com o coração dividido. Mas entre a terra natal e o País que os acolheu, a escolha da maioria foi pela nação verde-amarela. Apenas uma entrevistada garantiu que torcerá pela China nos jogos de Pequim.
Kong Chik Wai, proprietário de dois restaurantes de comida típica chinesa em Bauru, faz questão de torcer pelo Brasil. Ele é nascido em Hong Kong, com dois anos veio para o Brasil e está em Bauru há 22 anos. Em seu restaurante dos Altos da Cidade, os garçons e funcionários já estão no espírito olímpico. Em seus uniformes, o adesivo “Boa sorte, Brasil”, com o logotipo dos jogos, já denunciam a preferência do comerciante.
Wai garante que vai acompanhar as disputas do País .“Já acordei cedo para assistir aos jogos das seleções feminina e masculina de futebol”, conta. Ele afirma que o movimento no estabelecimento ainda está dentro do normal, mas acredita que durante a competição, a procura possa aumentar. “O problema é o horário. A maioria das disputas será durante a madrugada”, pondera.
E sobre a culinária da China, ele conta um segredo. A comida chinesa que comemos no Brasil não é idêntica ao prato original. “Lá eles utilizam bastante tempero. Os sabores são diferentes e você tem que ir adaptando”, revela.
A professora de chinês Lili Long, que está há quatro décadas em Bauru, também vai torcer pelo Brasil. “Eu já sou brasileira. Cheguei no País com 17 anos, me formei aqui. Acho que nem os chineses me aceitam mais”, brinca. Ela atua há muito tempo como uma das principais integrantes da colônia na cidade. Acompanhou por três vezes representantes da prefeitura do município chinês Yang Zhou, que ela explica ser a cidade-irmã de Bauru na China.
Porém, Long lamenta que os representantes bauruenses nunca retribuíram a visita. “E eles cobram, viu. Disseram que só vão voltar aqui depois que alguém da prefeitura de Bauru for para lá”, conta. Muito procurada por turistas que vão visitar seu país natal, ela garante que fama da culinária não é de todo verdadeira. “Eu nunca comi escorpião, barata, essas coisas. Nem ninguém da minha família comeu. E também nunca comi cachorro. A culinária varia em cada região e isso é mais comum nas áreas mais desérticas”, conta lembrando que em algumas partes do Brasil, tem gente que come macaco.
A também professora de chinês Vitória Tseng Chau Bao está há nove anos no Brasil. Ela veio com o marido e o filho mais velho de Taiwan - seus outros dois filhos são brasileiros. “Tenho família, amigos tudo lá. Mas eu vou torcer para o Brasil”, garante.
Encontrar em Bauru representantes da comunidade chinesa não foi fácil. Além dos lugares óbvios, como os restaurantes que servem comida oriental, a lista telefônica foi de grande ajuda. Bastou procurar na Internet sobrenomes comuns do país sede das Olimpíadas para encontrarmos muitos chineses que escolheram Bauru para morar.
O grande problema foi conseguir falar com eles. Muitos não fizeram a menor questão de falar com a reportagem, em outros casos, a comunicação foi difícil. O Jornal da Cidade tentou entrevistar Mane Jiting, que há cinco anos está no Brasil. Mas o máximo de entendimento foi que ela não gosta de falar ao telefone e que vai torcer pela delegação chinesa mesmo.