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Brasil dispõe de excelência no uso do DNA para fins de identificação e criminal

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 3 min

Identificar com precisão 195 pessoas entre as 199 mortas na tragédia do vôo 3054 da TAM em apenas 24 dias, em qualquer outro país demoraria muito mais tempo, afirma a perita criminal Norma Bonaccorso, responsável técnica pelo Laboratório de DNA do Instituto de Criminalística (IC) de São Paulo.

O esforço para a identificação dos corpos da maior tragédia da história da aviação brasileira, ocorrida em 17 de julho de 2007, ao menos serviu para confirmar a competência do serviço de perícia que atua em uma área na qual a dúvida pode colocar tudo a perder. Mais do que o recorde, a perita criminal destaca a eficiência com 98% de corpos identificados. Bonaccorso conta que apenas quatro pessoas não foram identificadas, mas todo o material genético enviado foi reconhecido.

Além de toda a comoção pelas mortes, o desespero dos familiares e a intensa cobrança da sociedade, os peritos tiveram que superar, muitas vezes, a escassez de material para análise. Muitos corpos fragmentaram e se misturaram a todo tipo de material que as chamas não consumiram. Bonaccorso relembra que parte dos cadáveres localizados na frente do avião ficou exposta ao fogo que só cessou após quatro dias. Ela descreve que a aeronave desgovernada bateu em um prédio de distribuição de cargas da TAM e uma viga da estrutura dividiu o avião em duas partes. “Ainda bem que não explodiu”, friza a perita do IC. Por volta das 18h45 do dia 17 de julho do ano passado, a aeronave da TAM teve problemas no pouso e atravessou a pista principal do Aeroporto de Congonhas, parando ao se chocar contra o prédio.

Outro caso polêmico foi a morte da menina Isabella Nardoni, 5 anos, no último dia 29 de março. A criança morreu após cair do apartamento localizado no sexto andar do edifício Residencial London, na Vila Mazzei, zona norte de São Paulo. No imóvel residiam o pai dela, Alexandre Alves Nardoni, e a madrasta Anna Carolina Jatobá, que foram presos e indiciados pela morte da criança. Polêmico, o caso Isabella também teve material genético analisado no Laboratório de DNA do IC para produção de laudos. O trabalho da perícia como um todo foi fundamental até o momento para a acusação contra o casal.

Bonaccorso é cautelosa quanto à grande expectativa que se coloca em torno do exame de DNA, por entender que os resultados servem como subsídios para se elucidar crimes, questões envolvendo paternidade e identificação de pessoas. Apesar de todo o avanço técnico e tecnológico disponível, a perita criminal afirma que há limitações para o DNA.

Bonaccorso ressalta, ainda, que o Brasil dispõe da mesma tecnologia usada nos principais centros internacionais de perícia.

A perita criminal esteve ontem em Bauru, onde proferiu uma palestra sobre “Aplicação do exame de DNA voltada à elucidação de crimes e identificação de pessoas”, programada na 3º Semana Jurídica das Faculdades Integradas de Bauru (FIB), iniciada na útlima quinta-feira e finalizada ontem. Além de advogados e estudantes de direito, as atividades foram abertas à população.

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