Economia & Negócios

Guerra de preços: álcool volta a cair para R$ 0,99

Gabriel Ottoboni
| Tempo de leitura: 3 min

As aparências enganam, segundo o que diz o bom e velho provérbio popular. Nesse caso, ele pode ser empregado no que diz respeito aos preços praticados por postos de combustíveis quando o assunto é álcool. Essa é definição do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo (Sincopetro) para explicar a atual situação em Bauru. Em oito meses, esta é a terceira vez que o álcool sofre queda de preço. Nesta semana, o valor mínimo voltou ao nível de R$ 0,99.

Em 31 de janeiro deste ano, o Jornal da Cidade divulgou que alguns postos da cidade comercializavam o litro do produto a esse preço. Em 31 de maio, o preço cairia mais ainda, com o valor chegando a R$ 0,89 em vários estabelecimentos do ramo.

Mas preço baixo não significa, necessariamente, benefícios para o consumidor. É o que afirma o presidente do Sincopetro, Wagner Siqueira. Ele cita os acontecimentos envolvendo o setor de combustíveis em Bauru no mês passado, quando o Instituto de Pesos e Medidas (Ipem) - órgão vinculado à Secretaria da Justiça e de Defesa da Cidadania do governo do Estado de São Paulo - lacrou 20 bombas em três postos no dia 22 de julho.

Na época, elas apresentaram o que o Ipem chamou de indícios de fraudes, o suficiente para que o órgão determinasse as lacrações. O problema apontado na ocasião era um provável desvio de combustível no momento do abastecimento, fazendo com que parte do produto voltasse para a bomba. Mas alguns dias depois, o Ipem deslacrou as bombas e os postos voltaram a utilizá-las normalmente. “O consumidor deve ficar atento para não comprar determinada quantidade e levar outra, ou mesmo em relação à qualidade do produto. É impossível vender nesse preço por muito tempo”.

Prejudicial

Siqueira defende a idéia de que a oscilação constante de valores é prejudicial a empresários e consumidores. “Posso apresentar notas fiscais comprovando que o preço de compra (do álcool) gira em torno de R$ 0,96 a R$ 1,02, com todos os impostos recolhidos. Não sei como conseguem fazer esse preço (de venda ao consumidor)”, reclama. “O preço praticado atualmente está totalmente fora da realidade de mercado”.

Como efeito cascata, ele afirma que os outros postos são “obrigados” a baixar os preços diante da concorrência, acarretando problemas no fluxo de caixa dos estabelecimentos. “E com isso você não consegue saldar suas dívidas”, acrescenta. Siqueira não visualiza mudança do quadro a curto prazo. “Isso (guerra de preços) não tem prazo para acabar.”

Como reflexo desta situação, a demanda pelo gás natural veicular (GNV) tem caído em Bauru. “Com eses preços, compensa abastecer mais com álcool do que com gás”, afirma o presidente do Sincopetro. O metro cúbico do produto oscila entre R$ 1,39 e R$ 1,49. “O desempenho (álcool x gás) é praticamente o mesmo”, define.

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ANP

Levantamento realizado em 35 postos de Bauru pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) entre os dias 3 e 9 deste mês mostram que os estabelecimentos comercializavam o produto a até R$ 1,29. A média era de R$ 1,26, e o valor mínimo chegava a R$ 1,02. O preço de custo variava entre R$ 0,86 e R$ 1,018.

Gerente de posto, Sílvio Rodrigues afirma que está trabalhando com “lucro zero”. Até ontem, o litro do álcool no estabelecimento em que ele trabalha custava R$ 1,09. “Não poderia vender por esse preço, pois compro a R$, 0,98. Mas se a gente não baixar, como a concorrência faz, não vendemos. Tem posto vendendo álcool a R$ 0,99. Mas por outro lado, a venda não cobre nossos custos”, diz Rodrigues.

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