A dieta da jovialidade
Prezado leitor,
A idade vai chegando e as necessidades nutricionais vão se modificando. A pedido de uma leitora, o tema de hoje será para orientar as pessoas quanto a sua alimentação após os 50 anos. Afinal, o alimento é fundamental para a manutenção de todos os nossos processos vitais. É através dele que obtemos a energia necessária para o funcionamento destes processos. Uma dieta adequada é aquela que assegura a ingestão equilibrada de açúcares, gorduras, proteínas, vitaminas e sais minerais, além de água.
Uma dieta inadequada está relacionada a inúmeras doenças, destacando-se a arteriosclerose, a hipertensão arterial, o câncer e os cálculos renais. A absorção dos alimentos pelo trato digestivo recebe a influência de diversos fatores, como, por exemplo, a utilização de determinados medicamentos, ingestão regular de bebidas alcoólicas e estado depressivo.
Em princípio, a alimentação após os 50 anos deve se adequar às condições orgânicas ou funcionais de cada pessoa. Na verdade, ela precisa ser muito rica em elementos vitais, como vitaminas, minerais, enzimas e fibras, e muito pobre em produtos refinados e industrializados. Nessa fase da vida, a digestão fica bem mais lenta. Isso se deve normalmente à diminuição da produção de enzimas digestivas e às grandes misturas alimentares feitas numa única refeição.
Outra dificuldade é a adequada absorção de nutrientes pelo intestino, que se encontra com a sua microbiota destruída devido aos alimentos refinados (farinhas brancas, pães, bolachas), ao açúcar (fermentação), excesso de medicamentos e de café, além do acúmulo de agrotóxicos e de metais pesados. Isso tudo leva ao cansaço orgânico e a uma desnutrição não aparente, mas que debilita e propicia a formação de doenças crônico-degenerativas, como prisão de ventre, obesidade, doença reumática, cardíaca, artrite, artrose, Alzheimer e Parkinson, entre outras.
Por isso, após os 50 anos é aconselhada a utilização rotineira de alimentos ricos em vitaminas, principalmente A e C, encontradas nas frutas e nos vegetais. A mulher, na menopausa, deve fazer profilaxia alimentar para osteoporose, incluindo regularmente no cardápio alimentos ricos em cálcio, como vegetais verdes folhosos, frutas e peixes. O leite, apesar de ser rico em cálcio, não é considerado uma boa fonte devido à sua baixa absorção pelo organismo (apenas 20% deste cálcio é absorvido).
Nessa idade, a pessoa que está se alimentando corretamente não tem necessidade de suplementação alimentar com medicamentos à base de vitaminas. Por outro lado, uma dieta incorreta pode ocasionar riscos à saúde.
Diante de determinadas doenças os cuidados alimentares devem ser redobrados, havendo então a necessidade do uso de vitaminas. O estado emocional alterado (depressão e estresse) pode interferir diretamente na absorção dos nutrientes, podendo, inclusive, ocorrer queda da resistência física.
Há uma tendência em beber menos água, o que pode facilitar o aparecimento de doenças, como a desidratação e o aumento da concentração de medicamentos no sangue. Por isso, recomenda-se:
1) Não tomar sucos nem café com leite junto às refeições. Beba somente água ou chá de ervas (frio ou quente);
2) Não misturar mais de três alimentos numa mesma refeição. É preferível aumentar a quantidade a fazer misturas;
3) Evitar sobremesas (doces e mesmo frutas). Tome um chá de ervas após as refeições;
4) Tomar muita água durante o dia para hidratar e melhorar o funcionamento dos intestinos;
5) Comer alimentos crus, na forma de verduras e frutas não ácidas, longe das refeições;
6) Substituir o açúcar branco por mel (em menor quantidade);
7) Substituir os pães brancos por integrais, sírio, torradas (ou outros que não contenham fermentos);
8) Evitar doces industrializados porque nessa fase da vida temos que ingerir cada vez menos calorias para não engordar;
9) Praticar atividade física regularmente.
A suplementação preventiva deve ser discutida com o médico de sua confiança. Seguem alguns exemplos de suplementos:
1) Cálcio, magnésio e vitamina D: para osteoporose e menopausa;
2) Vitamina C, E, betacaroteno e selênio: para o mal de Parkinson, Alzheimer e antienvelhecimento;
3) Vitamina C, B6, B12 e ácido fólico: para o fortalecimento do sistema imunológico, prevenção de anemia e antienvelhecimento;
4) Lactobacilos: para recuperar a microbiota intestinal e, conseqüentemente, melhorar seu funcionamento (absorção de nutrientes);
5) Vitamina C e bioflavonóides: fortalecimento do sistema circulatório e antienvelhecimento.
Nosso organismo pode ser comparado a uma máquina que utiliza energia do alimento para o seu funcionamento. Este processo libera calor para controlar e manter a temperatura corporal sempre em níveis regulares.
Ao contrário de outras máquinas, nosso organismo está continuamente destruindo (catabolismo) e construindo (anabolismo) os seus elementos. Alguns alimentos são vitais, pois contêm, na sua composição, nutrientes fundamentais para o funcionamento da máquina. Portanto, cuide bem do seu corpo e de sua mente, pois a juventude passa, mas a jovialidade pode ficar. Isso só depende de você.
Um grande abraço e até o próximo domingo.
Daniela Hueb
Médica, CRM-SP 96.027
e-mail:danielahueb@jcnet.com.br