• Propaganda eleitoral
O primeiro dia da propaganda eleitoral em rádio e TV, ontem, apresentou o previsível: os candidatos lendo textos curtos e em alta velocidade e, ao final, para “fechar a mensagem”, eles trazem a identificação do candidato a prefeito que compõe a aliança. A menção, em fala, do candidato a prefeito em programa destinado aos majoritários, retoma a controvérsia da última eleição, onde representações questionaram a citação dos concorrentes ao Executivo na disputa pela Câmara.
• Formato dos programas
A correria na leitura dos textos pelos candidatos era tão esperada quanto a presença de conteúdos bizarros, além de alguns que despertam para o bom-humor e outros onde os concorrentes expõem pouca ou quase nenhuma habilidade com a gravação em TV. Ocorre que o distanciamento da população para questões políticas, aliado ao formato dos programas, prejudica a atração do eleitorado.
• Abusos econômicos
Para o cientista político e professor da Unesp-Bauru Celso Zonta, o horário eleitoral gratuito, assim como as demais regras da disputa, restringe o debate e dificulta a divulgação das candidaturas e o processo de escolha do eleitor. Nos moldes em que se processa a propaganda garantida em lei, o eleitor vota mais por opiniões de terceiros do que por usa própria convicção. Para Zonta, ainda há o agravante de que o processo não restringe o abuso econômico.
• Medalhões do tempo
A julgar pelo conteúdo do primeiro dia de propaganda na TV, já deve ter muito candidato com o nariz virado contra cacique de partido. Alguns candidatos tiveram tempo bem maior que colegas em alguns programas e até tratamento diferenciado no “layout” da gravação. Enquanto isso, dezenas de concorrentes se expremiam na leitura de mensagens de 15 e 20 segundos na telinha.
• Criatividade ou folclore?
E, também como era esperado, alguns candidatos se esforçaram em tentar produzir conteúdos “diferentes” dos demais. Um deles mostrou uma vassoura no final de sua fala, o símbolo de Jânio Quadros, outro entrou no ar com um toque de corneta militar e vários concorrentes a uma das 16 vagas no Legislativo se valeram de rimas para montar suas falas.
• Conteúdos fonéticos
Mas pelo menos dois candidatos preferiram frases com certa sonoridade acima do patamar normal da fala para tentar atrair a atenção do eleitor. Nesse tom, teve a mistura de “hehehe” com “ferver” e de estridentes repetições com “vai mal, mal, mal”. E tudo isso vai ao ar até 2 de outubro, todas às terças, quintas e sábados, no caso do horário eleitoral de candidatos ao Legislativo.
• Identificação composta
O registro das candidaturas também empresta nomes incomuns para que o eleitor não se esqueça da atividade, do segmento ou da área ou objeto que mais identifica o candidato. Neste segmento, teve nome para todo gosto, sempre com dois nomes, um comum e outro “criativo”: Fulano...da Feira, das Ervas, dos Colchões, da Ferradura, do Posto de Saúde, da Construção, do Posto, da ONG e até o Oiki Beleza estavam lá, em pleno horário nobre de TV.