João Bortoletto era um honesto e batalhador caminhoneiro que trabalhava buscando produtos agrícolas no interior do Paraná. Um dia, como sempre acontece, quebrou o caminhão.
Os transtornos de sempre. Mas João achou que foi muito maltratado, pelas oficinas, autopeças, ônibus. Enfim, ficou injuriado. Um dia, voltando de ônibus para Bauru, parou na cidade de Irati e pelo telefone informou que estava cansado de ficar naquele buraco e que não via a hora de voltar para o Brasil.
Foi sua desgraça. O delegado da cidade estava a seu lado e era daqueles nascidos na cidade, orgulhoso disso, e bairrista até o osso.
Deu-lhe voz de prisão na hora, por desacato à honra da cidade.
Mas, deu-lhe uma pequena concessão: Para não ir para cadeia, que fosse até a papelaria ali próxima, comprasse cartolina, pincel atômico e fita adesiva. Teria que fixar na própria rodoviária e escrever 100 vezes a frase: IRATI TAMBEM É BRASIL.
E lá se foi o João, acompanhado por uma pequena e belicosa platéia vaiando e contando as frases. Acabou e veio embora.
Hoje, quando a gente o encontra, já grita: IRATI e ele sem demora dá a resposta: TAMBEM É BRASIL!...
Contada por Silvio Sartori