O crescimento da procura por áreas comerciais na zona sul tem feito com que os valores para compra e locação de imóveis, principalmente na avenida Getúlio Vargas, chegue a ser três vezes maior do que em qualquer outro ponto da cidade. Nas avenidas de acesso ou vias paralelas, o preço cobrado chega a corresponder ao dobro do valor exigido em outras áreas da cidade.
O corretor de imóveis Guilherme Busch afirma que o metro quadrado para o comércio no principal corredor comercial da zona sul, a avenida Getúlio Vargas, custa, em média, R$ 1.000,00. “O valor pode variar de acordo com a localização do terreno e em alguns pontos o preço cobrado pode ser ainda maior”, afirma.
A grande procura e a reduzida oferta de imóveis para locação comercial fizeram com que o valor dos aluguéis disparasse. A empresária Luciana Fernandes conta que teve sorte para instalar sua escola de idiomas na Getúlio Vargas.
“Minha irmã e eu havíamos escolhido um prédio, mas ao consultar o valor do aluguel o susto foi grande. O proprietário pediu R$ 15 mil por mês, aí encontramos o local onde estamos instaladas com um valor mais baixo e dentro do orçamento da empresa”, conta.
Para Adriano Húngaro, gerente de vendas de uma imobiliária localizada naquela região, o mercado imobiliário em Bauru nos últimos anos, principalmente no setor comercial, registrou um “boom” expressivo. “Os imóveis que tínhamos disponíveis há um ou dois anos sofreram uma valorização muito maior do que qualquer índice de investimento pudesse oferecer”, compara.
Na avaliação de Húngaro, a procura de terrenos e imóveis nos condomínios fechados e a construção de diversos prédios comerciais na região inflacionaram o mercado comercial no local. “Por ter um fluxo grande de pessoas diariamente, ali também se torna o local preferido para o comerciante que procura se instalar”, acredita.
Para Benedito Luiz da Silva, presidente da Associação Comercial e Industrial de Bauru (Acib), e Evandro Manfrin, coordenador da Asa Sul da mesma entidade, quem determina o valor dos aluguéis e do metro quadrado de terra em qualquer lugar é o comércio.
“Há 20 anos, um prédio comercial no Calçadão da Batista custava, em média, R$ 300 mil em valores de hoje. Atualmente pode-se encontrar imóveis no mesmo local sendo oferecidos por cerca de R$ 20 mil, dependendo da metragem”, exemplifica Silva.
Manfrin acredita que não tem aluguel ou terreno caro e, sim, o retorno propiciado por um imóvel comercial naquele local. “A locação ou metro quadrado de área aqui na zona sul é considerado alto, porque uma empresa instalada aqui com certeza ficará mais próxima do seus clientes”, afirma.
Mesmo na zona sul, é possível encontrar imóveis com oferta de locação mais em conta e com o valor do metro quadrado mais barato para compra. De acordo com Busch, nas vias de acesso como a Rio Branco, Antônio Alves ou Gustavo Maciel o preço do metro quadrado para venda fica em torno de R$ 300,00, o dobro do valor cobrado em outra região comercial e mais que quatro vezes o preço verificado em bairros mais pobres.
O mesmo acontece com as ruas e avenidas transversais e paralelas à avenida Getúlio Vargas, na zona sul, como a Nossa Senhora de Fátima ou a Otávio Pinheiro Brisolla. Húngaro conta que outra rua naquela região começa a se destacar para o comércio. “A Fuas de Matos Sabino já tem lojas, academia e outros tipos de comércio se instalando por ali e é uma rua tradicional da cidade”, avisa.
Além das vias tradicionais da zona sul, tanto Silva quanto Manfrin incluem como corredores comerciais a avenida Comendador da Silva Martha e toda a região da Praça Portugal. “A zona sul começa na Duque de Caxias e continua se expandindo e essa ampliação não vai terminar tão cedo”, completa Manfrin.